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Na América Latina em 2022, todo o poder aos vermelhos

As novas lideranças chegaram ao poder por meio de votos de cunho menos ideológico e mais antissistema

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 dez 2022, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 10h56
  • O pêndulo que regula as idas e vindas ideológicas dos governos balançou para a esquerda na América Latina em 2022, espalhando uma onda vermelha que culminou com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil. Bem antes disso, no Chile, país tradicionalmente conservador, o ex-­líder estudantil Gabriel Boric, millennial tatuado, avesso a gravatas e fã de música pop, assumiu a Presidência como a encarnação de uma nova esquerda. Sem laços com a política de sempre, Boric entrou no célebre Palácio de La Moneda, em março, falando em taxar grandes conglomerados e fortunas para financiar maior igualdade social e, ao mesmo tempo, condenando com todas as letras os governos ditatoriais de Cuba, Nicarágua e Venezuela, coisa que outros esquerdistas relutam em fazer. Concentrou suas fichas nos poderes, direitos e deveres que seriam implementados em uma nova e revolucionária Constituição, a ser referendada em plebiscito. Apostou e perdeu.

    Assolado pela criminalidade em alta, pelas reivindicações cada vez mais duras dos povos nativos e, como é de praxe nestes tempos, por uma enxurrada de fake news propaladas pela ala conservadora, Boric caiu de vez do pódio a que fora alçado na eleição quando a nova Carta foi rejeitada por 62% dos votos, em setembro. Agora, tenta costurar alianças de todos os lados e acelerar os trabalhos de reforma do texto constitucional, com pressa de levar a referendo uma Constituição menos progressista e mais aceitável pela maioria. As atribulações do presidente do Chile são consequência direta da posição da América Latina hoje: irrelevante na geopolítica em vigor, a região virou terreno fértil para quem se posiciona contra a ordem estabelecida, seja ele quem for — uma escolha propensa a derrapadas. O novato Pedro Castillo, no Peru, não superou a inexperiência, insistiu no radicalismo e, sob a ameaça de impeachment, arquitetou um autogolpe frustrado que acabou levando-o à prisão, sendo substituído por sua vice, Dina Boluarte, que segue cambaleante. Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, inicia seu mandato pressionado por uma banda conservadora ainda mais raivosa agora que está na oposição. Mais pragmáticas e modernas do que a esquerda dogmática do passado, as novas lideranças vermelhas chegaram ao poder através de votos de cunho menos ideológico e mais antissistema. Com o pêndulo sempre em movimento, permanecer lá não vai ser fácil.

    Publicado em VEJA de 28 de dezembro de 2022, edição nº 2821

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