Caso Marielle: a condenação após oito anos
Em 21 de março de 2018, poucos dias do assassinato da vereadora carioca e do seu motorista, VEJA destacava em sua capa uma reportagem sobre a barbárie política do Rio. Depois de todo esse tempo, a justiça, enfim, foi feita
Após 8 anos, a pergunta que ecoou o Brasil durante todo esse tempo, finalmente, teve uma resposta: quem mandou matar Marielle?
A vereadora Marielle Franco foi a primeira vítima política da barbárie do Rio de Janeiro. Ela foi executada, com quatro tiros na cabeça, no dia 14 de março de 2018.
“Voz vibrante a favor das mulheres, dos negros, dos homossexuais e dos favelados, tinha intensa atuação dentro e fora da Câmara. A morte brutal a agigantou, ao adicionar um componente político ao inaceitável caldeirão de violência que engolfa o Rio: os disparos abateram uma pessoa eleita pelos cariocas para representá-los”, iniciava a reportagem de capa de VEJA, de 21 de março de 2018.
Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora carioca.
Chiquinho Brazão e Domingos Brazão foram condenados por três crimes: homicídios triplamente qualificados, de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes; tentativa de homicídio triplamente qualificado de Fernanda Chaves, assessora que sobreviveu ao ataque; e organização criminosa.
Os irmãos Brazão foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão por planejar e mandar matar Marielle Franco e Anderson Gomes, e também terão de pagar R$ 7 milhões em reparação de danos para familiares das vítimas.
O STF também definiu as penas e crimes atribuídos aos outros réus:
- Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão;
- João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão;
- Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ: obstrução à justiça corrupção passiva — pena de 18 anos de prisão;
- Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar: duplo homicídio e homicídio tentado — pena de 56 anos de prisão;
- Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão: organização criminosa — pena de 9 anos de prisão.
O dia 25 de fevereiro de 2026 entrou para a história do país como um marco de que não existe impunidade para nenhum crime. Todas as quintas-feiras você, leitor, poderá conferir uma edição antiga no nosso #TBT e ainda consultá-la na íntegra na home do nosso site.





