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A cannabis antes e depois da nova regulação

Um panorama das mudanças das normas do produto medicinal determinadas pela Anvisa

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jan 2026, 10h04 • Atualizado em 29 jan 2026, 10h23
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    As novas normas aprovadas na última quarta-feira, 28, pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), em audiência pública, vão mudar a realidade de pacientes, pesquisadores, universidades e do mercado de cannabis em geral. Além de elaborar três novas normas com a ajuda de um mutirão de especialistas, a Anvisa revisou a RDC 327/2019  que define os critérios e procedimentos para a fabricação, importação, comercialização, prescrição e dispensação de produtos de cannabis para uso medicinal no Brasil. Essa era uma decisão muito aguardada pelo mercado. No conjunto da obra, veja abaixo como era e como vai ficar o mercado com as normas quando forem publicadas e entrarem em vigor.

    O cultivo da cannabis
    Era proibido, mas decisões judiciais permitiram exceções individualizadas e para associações
    Passa a ser autorizado apenas para fins medicinais e científicos, sendo que o cultivo será georreferenciado e fiscalizado

    A produção nacional
    Não era permitida e dependia quase totalmente da importação
    Agora foi autorizada e obrigatoriamente passa a ter controle sanitário, tanto no plantio como na extração e fabricação

    Importação
    Já era permitida para produtos acabados, mas tinha alto custo e imensa burocracia
    A autorização permanece

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    Pesquisa científica
    Era permitida, mas com forte restrição e burocracia que inviabilizavam a maior parte dos projetos
    Agora passa a ser incentivada com uma regulação específica

    Associação de pacientes
    Era uma terra sem lei, apesar de muito necessária para a vida de muitos pacientes sem condições financeiras. Em muitos casos, como na epilepsia refratária, a cannabis é o único tratamento que garante qualidade de vida.
    Agora, finalmente, recebe uma regulação específica, com normas sanitárias e jurídicas definidas

    Segurança jurídica
    Associações e produtores tinham baixo risco de criminalização, mas muitos eram denunciados pela sociedade e passavam por constrangimentos e até prisão
    A atuação passa a ser amparada por norma sanitária

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    Autocultivo
    Era permitido apenas por decisões judiciais
    Continua sendo proibido, mesmo com nova proposta

    Escala produtiva
    Inexistente no país
    Agora passa a ser definida pela norma sanitária

    Qualidade do produto
    Variava de acordo com o fornecedor externo
    Com a nova norma, passa a ter padronização nacional e controle de lotes

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    Profissionais prescritores
    Médicos, dentistas e veterinários continuam como os responsáveis pelas receitas

    Manipulação

    Proibida anteriormente de manipular, agora passa a ser mais uma opção de consumo dos pacientes, mas apenas do canabidiol isolado

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