Amazônia: impacto do desmatamento varia de acordo com estações
Menor cobertura vegetal causa aumento das chuvas em áreas desflorestadas e gera seca em regiões de mata a 60 km de distância

O desmatamento da Amazônia está associado ao aumento das secas na região da floresta. Com menos cobertura vegetal, os níveis de evapotranspiração (liberação de água pelas plantas e solo) diminuem. No entanto, pesquisadores apontam que a chuva também aumenta na floresta por conta do desmatamento. Porém, não é uma boa notícia: as áreas de maior precipitação são as áreas que foram desmatadas, enquanto outras partes da floresta ficam sem chuvas.
No estudo publicado na revista Nature, o pesquisador Zhenzhong Zeng e sua equipe analisaram os impactos do desmatamento na precipitação da floresta amazônica em períodos de seca e chuva. Os dados coletados entre 2020 e 2022 revelam que os padrões de precipitação variam em cada época, e geram consequências para regiões distantes da área desmatada.
Entre dezembro e fevereiro, época de maior umidade, o desmatamento aumentou os níveis de chuva na área desflorestada. Porém, a precipitação diminuiu em regiões a mais de 60 km de distância, por conta da menor cobertura vegetal. O território desmatado se torna uma superfície mais quente, o que cria uma zona de baixa pressão e atrai a umidade de áreas ainda florestadas, que sofrem com a secura, mesmo em pleno verão úmido.
No inverno, de junho a agosto, a falta de plantas na região impacta diretamente na quantidade de água evaporada que se tornaria chuva. A época de estiagem torna-se ainda mais seca, diminui o rendimento de colheitas e aumenta os riscos de queimadas.
Para Zeng e seus colegas pesquisadores, os dados destacam as interações complexas entre o desmatamento e as estações do ano, e os seus impactos na precipitação na Amazônia, aumentando a necessidade de preservar a floresta.
Retrospecto do desmatamento
Em 2024, a Amazônia bateu um recorde histórico de degradação ambiental, causada por queimadas e extração de madeira. Houve um aumento de 497% de área degradada, com 36.379 km², em comparação com 2023, com 6.092 km², de acordo com dados do Imazon. O desmatamento, a remoção completa da vegetação, fechou o ano passado em queda 7% comparado a 2023, concluindo dois anos consecutivos em declínio.