Brics: posicionamento sobre meio ambiente é considerado o mais ousado das 17 rodadas
Declaração final sela compromisso com o multilateralismo e o fortalecimento de mecanismos de cooperação para o combate à mudança climática e à fome
O documento assinado pelas 11 maiores economias emergentes do mundo, intitulado de Declaração Conjunta, durante a 17ª Cúpula do Brics, no último fim de semana, no Rio de Janeiro, impressionou positivamente especialistas ambientais. Com o lema “Fortalecendo a cooperação do sul global para uma governança mais inclusiva e sustentável”, a carta sela o compromisso do grupo com o fortalecimento do multilateralismo, a defesa do direito internacional e a busca por uma ordem mundial mais equilibrada. O documento é o resultado de meses de articulações, mais de 200 reuniões e a criação de duas centenas de mecanismos novos de cooperação em áreas como combate à fome, mudanças climáticas e tecnologias emergentes.
O posicionamento traz avanços importantes ao destacar o papel da cooperação internacional. “A valorização do multilateralismo e da cooperação do sul global é positiva, sobretudo diante do enfraquecimento do financiamento climático pelos países desenvolvidos”, disse à Veja Tatiana Oliveira, especialista em clima e líder de estratégia internacional do WWF-Brasil. Um dos 126 compromissos firmados no documento, estende e fortalece a compromissos anteriormente firmados nas áreas em benefícios das nações “por meio da promoção da paz, de uma ordem internacional mais representativa e justa, de um sistema multilateral revigorado e reformado, do desenvolvimento sustentável e do crescimento inclusivo”.
Mas faltou exigir uma atuação mais conectada e ambiciosa frente à emergência climática. “É preciso transformar essa retórica em compromissos concretos. O enfrentamento da crise climática exige articulação estratégica entre clima e natureza”, diz Tatiana. “Esperamos que o Brics+ assuma um papel mais ambicioso e integrado rumo à COP30, fortalecendo sua liderança e contribuindo com soluções reais para os desafios planetários.”
O documento também reconhece o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (FFTS), mecanismo financeiro inovador, criado pelo governo brasileiro, para mobilizar financiamento de longo prazo para a conservação das florestas tropicais. “Nossa Declaração-Marco na área de clima lança um mapa do caminho para, nos próximos cinco anos, transformar nossa capacidade de levantar recursos contra a mudança do clima” pontua o documento. “Lutaremos contra a crise climática deixando nossas economias mais fortes e mais justas”.
Como funciona o FFTS
Criado com o objetivo de captar US$ 125 bilhões (aproximadamente R$ 700 bilhões) no mercado internacional a juros de mercado, como um ativo de baixo risco. Esses recursos são reinvestidos em projetos com maior taxa de retorno, gerando lucro (spread). Parte do rendimento volta ao investidor, como um investimento regular. O excedente segue para países que protegem suas florestas tropicais, mas calculados na proporção da área preservada. O modelo permite que investidor recupere o recursos, com remuneração compatível com as taxas normais de mercado e, ao mesmo tempo, ajude para a preservação florestal e redução de emissões de carbono. Também estimula a demanda por títulos de dívida sustentáveis, como títulos verdes e azuis. Mas o fundo não concorre com o mercado de créditos de carbono, mas atua de forma complementar. O modelo é mais vantajoso do que doações ambientais tradicionais, uma vez que o recurso é devolvido no prazo entre 30 e 40 anos, com juros.
Leia:
+https://beta-develop.veja.abril.com.br/coluna/matheus-leitao/brasil-puxa-consenso-do-brics-para-normas-esg-e-fecha-acordo-tecnico/
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