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CBD pode ser tratamento para dermatite de pets, diz especialista

Melhora de quadro de saúde de um vira-lata, de nove anos, tratado no Hospital da Universidade Federal de Santa Maria, mostrou a eficiência do produto

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 fev 2026, 19h39 • Atualizado em 24 fev 2026, 14h17
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    Uma boa notícia para tutores de pets: a eficácia do uso tópico de fitocanabinoides (substâncias derivadas da cannabis) no tratamento de dermatite em cães foi testada com sucesso em um caso observado na Universidade Federal de Santa Maria. A doença é uma das queixas mais recorrentes nos consultórios veterinários e, não raro, exige uso prolongado de corticoides, imunomoduladores e anti-inflamatórios. Em muitos casos, causa odores antissociais, queda de pelo e sofrimento para o animal. Nesse contexto, óleo de CBD (canabidiol) — quando bem formulado e respaldado por dados de segurança — pode vir a ocupar o espaço de terapia adjuvante, com ação local e menor exposição sistêmica, argumento relevante para tutores preocupados com efeitos colaterais dos medicamentos alopáticos.

    O trabalho descreve um relato envolvendo uma cadela sem raça definida, de nove anos, diagnosticada com dermatite piotraumática no Hospital Veterinário da universidade. O tratamento consistiu na aplicação tópica, duas vezes ao dia, de um creme à base de manteiga de manga contendo extrato full spectrum de Cannabis, com concentração de 500 mg/mL de CBD. Houve dificuldade inicial de adesão ao protocolo, mas após a utilização correta, houve melhora clínica rápida. O produto foi aplicado por sete dias, com acompanhamento posterior.

    Os resultados indicaram redução significativa do prurido já no primeiro dia de uso adequado. Ao final do tratamento, houve diminuição das lesões, redução de detritos celulares na área afetada e início de crescimento dos pelos. A melhora foi confirmada em reavaliação clínica. Contudo, após a interrupção precoce do tratamento por decisão da tutora, os sinais clínicos reapareceram semanas depois, sugerindo a importância da continuidade terapêutica.

    Os autores concluem que o uso tópico de fitocanabinoides, especialmente o CBD, demonstrou potencial promissor no tratamento de dermatites inflamatórias em cães, contribuindo para o controle do prurido, regeneração tecidual e aceleração da cicatrização. Reconhecem, entretanto, as limitações metodológicas — trata-se de um estudo de caso único, sem grupo controle — e defendem a realização de ensaios clínicos mais amplos para validar eficácia e segurança na medicina veterinária.

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    “Apesar da análise ter se baseado em apenas um caso, durante curto período, o resultado positivo serve de base para estudos mais robustos”, afirma Carollina Mariga, uma das autoras.

    Nos últimos dez anos, revisões científicas abordaram o uso de CBD e outros canabinoides em condições cutâneas humanas e animais, mas não exclusivamente direcionadas à dermatite. No Brasil, ao que indicam os autores, trata-se do primeiro relato clínico desse tipo — um possível estímulo para pesquisas de maior escala que consolidem o tema como novo nicho terapêutico na dermatologia veterinária

     

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