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China reduz emissões de CO₂ com boom da energia solar, mas carvão ameaça metas climáticas

Expansão de usinas a carvão, no entanto, pode comprometer objetivos do país; cenário será central na COP30 em Belém

Por Ernesto Neves 22 ago 2025, 10h13 • Atualizado em 22 ago 2025, 10h18
  • O avanço histórico da energia limpa na China começa a mudar a curva de emissões de carbono do país. Nos seis primeiros meses de 2025, as emissões caíram 1% em relação ao mesmo período de 2024, segundo análise do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA).

    O movimento é puxado principalmente pela expansão recorde da energia solar, que sozinha já foi suficiente para cobrir todo o crescimento da demanda elétrica nacional.

    O setor de energia, responsável pela maior fatia da poluição chinesa, reduziu suas emissões em 3% no semestre.

    O salto foi viabilizado pela instalação de 212 gigawatts (GW) de capacidade solar apenas na primeira metade do ano, o dobro do registrado no mesmo período de 2024 e mais do que a capacidade total instalada nos Estados Unidos até o fim de 2024 (178 GW).

    Só em maio, a China conectou 93 GW, o equivalente a cem painéis solares instalados por segundo.

    Esse crescimento coloca a China na trilha para encerrar 2025 com queda geral de emissões, algo inédito para uma economia que ainda depende fortemente do carvão.

    No entanto, analistas alertam que o país segue distante de cumprir várias metas climáticas estabelecidas para o período 2021-2025, incluindo a redução da intensidade de carbono (emissões por unidade de PIB) e o controle rigoroso da expansão do carvão.

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    Solar e vento superam hidrelétricas pela primeira vez

    Com a nova capacidade, a energia solar ultrapassou pela primeira vez a hidrelétrica como principal fonte renovável do país.

    A geração solar cresceu 170 terawatts-hora (TWh) no semestre, equivalente a toda a produção elétrica de México ou Turquia. Somadas, solar, eólica e nuclear adicionaram 270 TWh, superando com folga o aumento da demanda de 170 TWh.

    Ao final de junho, 40% da eletricidade chinesa já vinha de fontes de baixo carbono, contra 36% no mesmo período de 2024.

    Para efeito de comparação, o Brasil já ultrapassa 80% graças à matriz majoritariamente hidrelétrica, mas a escala chinesa tem peso global: só a energia limpa adicionada em 2025 pode abastecer todo o consumo do Brasil ou a soma de Alemanha e Reino Unido.

    Carvão continua no centro da disputa

    Apesar do avanço renovável, a expansão do carvão continua a ameaçar os ganhos climáticos.

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    Estima-se que até 100 GW de novas usinas a carvão possam entrar em operação ainda em 2025, um recorde histórico.

    O paradoxo é que, mesmo com mais capacidade instalada, o uso efetivo do carvão para geração elétrica caiu, reduzindo sua taxa de utilização e rentabilidade.

    Outro ponto crítico é o setor químico, que registrou crescimento de 20% no uso de carvão no semestre.

    Esse segmento transforma carvão em combustíveis sintéticos e produtos petroquímicos, e sozinho já responde por 6% das emissões fósseis da China. Se continuar nesse ritmo, pode adicionar até 2% às emissões nacionais até 2029, dificultando ainda mais a meta de pico de carbono antes de 2030.

    O que esperar para 2030

    Mesmo com a atual queda, especialistas avaliam que a China não deve cumprir integralmente suas metas para 2025.

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    Ainda assim, a tendência de desaceleração pode dar confiança a Pequim para adotar compromissos mais ambiciosos no próximo plano quinquenal (2026-2030) e na nova NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) que será apresentada sob o Acordo de Paris.

    Segundo o CREA, se a energia limpa continuar crescendo mais rápido que a demanda, a curva de emissões pode ter atingido o pico já em 2024, anos antes do prazo oficial de 2030.

    A crise climática na Europa como pano de fundo

    Enquanto a China dá sinais de transição, a Europa reforça os alertas sobre os impactos das mudanças climáticas.

    O continente é o que mais se aquece no planeta, registrando um aumento médio de 2,3°C desde a era pré-industrial, quase o dobro da média global. Isso tem ampliado a frequência de ondas de calor, incêndios florestais e tempestades extremas.

    Nos últimos verões, países como Espanha, Portugal, Grécia e Itália enfrentaram temperaturas acima de 45°C, acompanhadas de incêndios devastadores.

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    Em 2023, o sul da Europa registrou a pior temporada de queimadas em décadas; em 2024, enchentes violentas atingiram a Alemanha, a Áustria e o norte da Itália.

    Agora, em 2025, incêndios recordes na Península Ibérica voltaram a expor a vulnerabilidade da região.

    O papel do Brasil e da China na COP30

    O debate sobre energia e emissões deve ganhar ainda mais relevância na COP30, que será realizada em Belém (PA), em 2025. A conferência marca o prazo final para que os países apresentem novas metas climáticas para 2035, consideradas cruciais para manter vivo o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento a 1,5°C.

    Nesse cenário, China e Brasil terão protagonismo. A China, maior emissor global, será cobrada a acelerar a transição energética e conter a expansão do carvão.

    Já o Brasil, que assumiu a liderança das negociações por sediar o evento, deve buscar compromissos firmes de financiamento climático e cooperação para a preservação de florestas tropicais, além de usar sua matriz renovável como exemplo.

    A interação entre os dois países pode ser decisiva para o sucesso da COP30: enquanto a China tem escala industrial para alterar o ritmo global de emissões, o Brasil é visto como chave na proteção da Amazônia e na construção de pontes entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

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