Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Metade da devastação da Mata Atlântica atingiu florestas maduras em 2024

Levantamento de quatro décadas realizado pelo MapBiomas mostra que o maior agente de destruição foi a agricultura

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 out 2025, 10h15 • Atualizado em 28 out 2025, 11h10
  • Quando o aventureiro alemão Hans Staden chegou ao Brasil, em 1557, ficou maravilhado com a abundância de diversidade da Mata Atlântica. Em seu livro Duas Viagens ao Brasil, descreve: “A terra é coberta de árvores e matas tão densas que apenas se pode andar nelas; em toda parte há flores e frutos que não se encontram na Alemanha, e aves de cores maravilhosas.” Apesar da beleza e riqueza de recuros, a região foi reduzida a apenas um terço. A devastação fez com que a Mata Atlântica se tonasse o bioma com a menor cobertura vegetal nativa de todo o país. O cenário de Staden deu lugar a atividades humanas variadas, principalmente a agricultura, realizada hstóricamente com técnicas não sustentáveis, o que deixa de unir o melhor de dos dois mundos: floresta em pé e áreas produtivas. Hoje a região concentra 30% de toda a área de cultivo do país.

    Os dados são do mais recentes levantamento do MapBiomas sobre a Mata Atlântica, da Coleção 10 de mapas de cobertura e uso da terra, lançada nesta terça-feira, 28. “A vegetação natural foi suprimida para abrir espaço para atividades humanas desde o início da colonização”, diz Natalia Crusco, diz a pesquisadora da equipe Mata Atlântica da entidade. Quando a empresa começou o monitoramento do uso da terra, em 1985, a região tinha apenas 27% da florestal original . De lá para cá, o ritmo de desmatamento mudou, em cada uma das quatro décadas, até 2024.

    Lei da Mata Atlântica dá impulso a regeneração

    O grande massacre da região se deui entre 1985 e 1994. Neste período, a agropecuria tomou 4,7 milhões de hectares de florestas, que equivalem a uma redução de 7%. Entre 1995 e 2004, veio uma fase melhor. A área desmatada caiu para 2,9 milhões de hectares de florestas, 40% em relação à década anterior. Tudo foi transformado em pastos e campos de cultivo. Entre 2005 e 2014 é possível notar os efeitos da Lei da Mata Atlântica, que possibilitou que a área de recuperação fosse maior que a área de conversão de florestas, com ganho líquido de 200 mil hectares. Entre 2015 e 2024, o cenário voltou a exigir atenção: as áreas de desmatamento e de recuperação se tornam equivalentes, mesmo após a aprovação do Código Florestal, em 2012, que tinha o potencial de impulsionar uma retomada da regeneração.

    Balanço

    Nesses 40 anos, a perda de área florestal foi de 2,4 milhões de hectares, uma redução de 8,1% em relação à área de florestas mapeada em 1985. Apesar da queda no ritmo do desmatamento registrada entre 1985 e 2024, os últimos 5 anos, houve perda média anual de 190 mil hectares de floresta po. Cerca de 50% do desmatamento registrado em 2024, ainda acontece em florestas maduras ( com mais de 40 anos), que carregam grande parte da biodiversidade, estoque de carbono e são as principais responsáveis pelos serviços ecossistêmicos desempenhados pela floresta.

    A área de formação campestre, por sua vez, sofreu uma redução de 28% em relação a 1985, desde 2000. A conversão foi mais acelerada na última década, com média anual de redução de 38 mil hectares. Nos últimos 24 anos, cerca de 15% do desmatamento de vegetação primária no bioma ocorreu em áreas de formação campestre. Quando considerados todos os tipos de vegetação nativa, a perda foi de 11,5% entre 1985 e 2024.

    Apenas Rio de Janeiro e São Paulo apresentaram aumento na área de vegetação nativa no período. Os estados com maior presença de território de Mata Atlântica são Santa Catarina (45%), Rio Grande do Sul (40%) e Bahia (39%).

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.