Relato de uma brasileira que enfrenta os incêndios de Los Angeles
Produtora de audiovisual, Luciana Brafman teve de abandonar a casa onde mora em Santa Mônica, mas voltou para evitar que fosse roubada

Radicada nos EUA, há pelo menos 20 anos, a brasileira Luciana Brafman, 57 anos, precisou deixar às pressas a casa, onde mora em Santa Mônica, em Los Angeles, devido aos incêndios, que ameaçam a cidade há uma semana. Na última terça-feira, 7, a fundadora da Time to Act, produtora de audiovisual, enxergava da esquina da rua onde mora as altas chamas de Pacific Palisades, a primeira região residencial atingida pelo fogo florestal. Labaredas com 26 metros de altura transformaram-se em uma visão aterrorizante e ameaçadora, à medida que se aproximavam. Luciana nunca imaginou viver uma realidade, que normalmente retrata com distanciamento em seus documentários, sobre os efeitos das mudanças climáticas no mundo. Mas por ironia do destino, ela virou personagem do que poderia ser um de seus curtas.
Quando chegou o alerta de evacuação, ela mal teve tempo de fazer uma pequena mala, entrar com seu filho no carro, e sair sem olhar para trás. Mas logo que deu, ela voltou, sozinha, para tomar conta da casa. Há registros de saques e assaltos nas residências, prédios e comércio das regiões incendiadas. “Até supermercados estão sendo pilhados, como aconteceu no Rio Grande do Sul, durante a enchente de 2024, onde criminosos aproveitaram da tragédia para se dar bem”, diz Luciana. Pelo menos, 50 pessoas foram presas, em Los Angeles.O filho ficou na casa de amigos em New Port. Sente-se devastado, apesar de não ter sido diretamente atingido, viu a escola que estudou e os amigos perderam tudo. “O ar, aqui, está muito ruim. Os incêndios continuam”, conta Luciana, que fez um vídeo da situação da redondeza.
Todos os moradores da região estão sujeitos aos alertas e orientações da Defesa Civil. Houve uma nova entrada de ventos fortes, de mais de 100 km/h, na noite de segunda-feira, 13, que podem reativar e espalhar o fogo. “O telefone não para de tocar, mal dá para dormir”, diz Luciana, que está com uma mala pronta na porta de casa, caso venha outro sinal de evacuação. A produtora emana tensão e preocupação. Tem feito o máximo para ajudar os amigos, que não podem voltar para casa, seja por motivo de interdição ou por ter virado pó. “Apesar dos assaltos, tem muita gente trabalhando para minimizar o sofrimento das pessoas, nem que seja com um abraço”, diz ela. Nos EUA, há pelo menos 30 fundos montados para esse fim, mas como sempre surgem oportunistas, mesmo nas desgraças, Luciana avisa: “investigue os fundos antes de mandar dinheiro”.
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