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Tecnologia traz harmonia entre botos e pescadores

Dispositivos acústicos instalados nas redes afastam a presença desses mamíferos e evitam o confronto com o homem na disputa pelos peixes

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 out 2025, 23h02 • Atualizado em 24 out 2025, 23h04
  • Considerados indicadores naturais da boa qualidade das águas e da diversidade, os botos, animais sensíveis e alegres, estão em risco. Segundo o WWF, as espécies de água doce sofreram uma redução média global de 85% entre 1970 e 2020. Na Amazônia estudos regionais apontam que o número de botos-cor-de-rosa e tucuxis caiu pela metade a cada década. A perda de habitat, a poluição, o garimpo, as mudanças climáticas e a pesca ameaçam a sobrevivência desses ícones da biodiversidade. Garantir a sobrevivência dos botos é também assegurar o equilíbrio ecológico dos rios e a subsistência das comunidades que dependem da pesca.

    Uma tecnologia simples e acessível está ajudando a resolver o antagonismo entre pescadores e esses mamíferos.  O WWF-Brasil, em parceria com a Sociedade para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), testou na Floresta Nacional do Tapajós (PA) o uso de pingers — pequenos dispositivos acústicos instalados nas redes de pesca, que emitem sons de alta frequência capazes de afastar os golfinhos sem causar danos. “Os botos vermelhos aprenderam a se alimentarem nas redes, porque perceberam que é mais fácil”, conta Mariana Frias, analista de conservação do WWF-Brasil.

    Os resultados foram animadores: redução de 40% nos danos às redes, aumento de até três vezes na quantidade de peixes capturados e nenhuma morte acidental de botos. “A experiência, realizada na comunidade ribeirinha de Prainha I, em 2023 e 2024, transformou também a percepção local de que esses animais não estão ali para causar conflitos”, explica Mariana.

    A iniciativa faz parte da metodologia internacional C2C (Conflict to Coexistence), reconhecida pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), que também é aplicada em outras regiões, como a bacia Tocantins-Araguaia. Ali, o WWF-Brasil coordena a Rede pela Conservação do Boto-do-Araguaia (REBOTO), que reúne governos, universidades e organizações locais em ações de manejo sustentável, valorização do conhecimento tradicional e desenvolvimento de alternativas de renda, como o turismo de base comunitária voltado à observação responsável dos botos.

    Os aprendizados dessas experiências inspiraram a cartilha Coexistência com Botos, que reúne boas práticas de pesca sustentável e conservação dos rios. Ela reforça a contribuição do projeto para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como vida na água, erradicação da pobreza e segurança alimentar. Ao promover a convivência harmoniosa entre pescadores e botos, o WWF-Brasil mostra que a coexistência é o caminho para preservar a vida dos rios — e o futuro das comunidades ribeirinhas.

     

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