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Felipe Moura Brasil

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Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

O mictório da estética

Por Felipe Moura Brasil 5 dez 2013, 17h08 | Atualizado em 5 jun 2024, 10h37
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Vocês imaginam quantos comentários das “feminazi” estou recebendo por escrever “Contra a cafonice“? É um tal de “direito” e “julgamento” pra cá, “machismo” e “preconceito” pra lá, que acho até que serei obrigado a fazer um “best of”.
 
Elas não admitem que um homem com nome e sobrenome erga sua voz, em meio ao turbilhão de apelos publicitários (das novelas, inclusive) produzidos em boa parte por homens anônimos, para dar algum retorno sobre a estética da mulherada consumista. Não pode. A mulher é “livre”, afinal, para ser como quiser. E quem disse que não é? Ninguém, claro. A mulher é livre até para ser uma “feminazi”. O que não quer dizer que vou aprovar seus comentários histéricos, como se eu tivesse julgado o caráter de alguém pelo estilo.
 
Leonardo Da Vinci devia ser um “cagador de regra” preconceituoso quando dizia que “A simplicidade é a última forma de sofisticação”. Vinícius de Moraes, um tirano machista quando dizia “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Todos nós – e aqui surgem aqueles: “Você está se comparando a Da Vinci e Vinícius?” – devemos ser homens muito malvados que, quando veem alguma peça ou mulher que não sejam simples nem belas, mandam a polícia imediatamente apreendê-las. Tudo bem que as maquiadas eu até mandaria para um chuveiro frio, tipo o do Dirceu, mas juro que eu tiraria o Dirceu primeiro, ok?
 
Marcel Duchamp revolucionou os padrões artísticos do Ocidente estabelecendo que um mictório também é uma obra de arte. A partir daí, foram desaparecendo os consensos mínimos sobre os valores estéticos, gerando uma confusão entre o que é belo e o que é feio, o que é bom e ruim em artes plásticas. Em matéria de moda feminina, a supremacia da comunicação visual sobre as outras nem precisou de muitos Duchamps. O mictório da estética é a imagem. Quanto mais as moças vivem para sair “bem” na foto, mais perdem, literalmente, o tato com os rapazes.
 
Se criticadas, alegam ser “vaidosas” e “femininas”. Não sei que “vaidade” é essa que enfeia. Não sei que “feminilidade” é essa que artificializa. Se as mulheres se vestem umas para as outras, como reza o mais cafona dos sensos comuns, não sei por que desabafam no Lulu quando são preteridas pelos homens. Não sabem que se embonecar, assim como fumar ou emborrachar os seios, pode ser um fator de descarte, senão para uma relação descompromissada, para uma relação amorosa duradoura? Se homem gostasse de beijar tinta, boneca inflável vinha com pincel. (Se gostasse de beijar borracha, comprava duas pra fazer ménage.)
 
Vocês são lindas, mocinhas – ainda que feias, ainda que velhas. Lindas como as “feminazi” nunca poderão ser. Não há cafonice maior do que a ideológica. Mas o bom é que, quando as duas se juntam numa pessoa só (e são várias), a gente acaba se divertindo em dobro.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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