🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!
Imagem Blog

Ricardo Rangel

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO

A empulhação e a realidade

A dura verdade é que estamos a um passo do descontrole fiscal

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 set 2020, 06h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 09h14
A empulhação e a realidade Priorizar nos meus resultados Google

De acordo com o que disse Bolsonaro em seu último pronunciamento, o 7 de setembro de 1822 foi um momento heroico glorioso de nossa história. Nosso país é tolerante e solidário, não é desigual ou violento, não oprime negros, mulheres, homossexuais, índios. O golpe de 1964 nos salvou do comunismo e preservou a democracia.

A mitificação vista no pronunciamento é a tônica do governo. A proposta de reforma administrativa, tão decantada, é mal detalhada, poupa os funcionários mais privilegiados, não vale para quem já está no serviço público — enfim, vazia e não corta um tostão. A proposta de Orçamento, que deixa de fora o Renda Brasil e o Pró-Brasil, é uma peça de ficção. E esses projetos, criados para obter ganhos eleitorais, são mal concebidos e mal-ajambrados.

Guedes prometeu privatizar 200 estatais e arrecadar 1 trilhão de reais em um ano. Estamos no 21º mês de governo, e ainda não se privatizou um alfinete. No início de julho, o ministro anunciou que privatizaria quatro grandes estatais nos “trinta, sessenta, noventa dias” seguintes. Passaram-se noventa dias, e a única coisa privatizada foi o secretário da Desestatização, Salim Mattar, que voltou à iniciativa privada (atribuindo sua saída à “lentidão do Estado” e não à própria incompetência ou ao desinteresse do presidente que ainda hoje bajula).

“É melhor Bolsonaro começar a fazer alguma coisa, porque há um trem vindo em nossa direção”

Continua após a publicidade

O governo fala de reforma tributária desde sempre, mas o que apresentou foi uma pífia unificação de PIS/Cofins, ignorando as duas propostas que estão no Congresso, muito mais completas. E, depois de falar sem parar em CPMF, nada apresentou a respeito (o que não deixa de ser boa notícia, mas isso é outro assunto). Até a reforma da Previdência (que, a rigor, nem se deve tanto ao governo), que não se pode acusar de falta de substância, quase foi inviabilizada pela insistência de Guedes em um modelo de capitalização vago e sem detalhamento.

Na Saúde, Bolsonaro fez de conta que a Covid-19 é uma gripezinha, induziu a população a um comportamento de risco que aumentou o número de mortes. Recomendou o uso de um medicamento que a ciência já descartou. Tentou manipular dados para dar a impressão de que a pandemia não é tão ruim.

Continua após a publicidade

Enquanto o ministro da Saúde mente que vai começar a vacinar em janeiro, o presidente vai na direção contrária, afirmando que “você não pode amarrar o cara e dar vacina”. Pura demagogia, não só porque, até agora, ninguém defendeu vacinação compulsória — muito menos à força —, mas porque o próprio presidente já sancionou lei permitindo a obrigatoriedade. (Sem falar que Bolsonaro já justificou, muitas vezes, a prática de “amarrar o cara” quando era para torturar.)

Como as pesquisas de popularidade demonstram, a empulhação é eficaz, engana muitos e rende votos, mas a dura realidade é que estamos a um passo do descontrole fiscal. É melhor Bolsonaro deixar de lero-lero e começar a fazer alguma coisa, porque há um trem vindo em nossa direção, e, como disse Lincoln, “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos por todo o tempo”. E ainda faltam dois anos até a eleição.

Continua após a publicidade

Publicado em VEJA de 16 de setembro de 2020, edição nº 2704

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).