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A falta de consideração de Lula com Geraldo Alckmin, o substituível

Depois de servir como avalista de Lula em 2022, o ex-mandatário tucano que tornou-se vice socialista é hoje alvo de fritura no governo

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 11h30 • Atualizado em 11 fev 2026, 17h57
  • Em julho de 2022, Lula anunciou sua parceria com Geraldo Alckmin na luta para derrotar Jair Bolsonaro como algo histórico na política brasileira.

    “Estamos fazendo a mais importante aliança já feita entre todas as alianças de esquerda desse país e os partidos democráticos desse país”, disse o petista.

    Lula respeitava tanto seu novo parceiro de chapa, naqueles dias, que foi logo avisando que Alckmin “não seria vice decorativo”. Em outras palavras, teria papel vital no governo.

    Eram outros tempos. Lula, um desafiante saído da prisão e resgatado por decisões judiciais que limparam sua ficha, precisava voltar ao universo das campanhas políticas com uma espécie de avalista.

    Alckmin, um ex-opositor com alguma popularidade entre eleitores de fora da esquerda, se encaixou como uma luva no “produto” que seria oferecido pelo petismo na campanha eleitoral.

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    Eleito, Lula governaria com uma frente democrática de partidos, ouvindo a todos e construindo um governo distante do aparelhamento petista. Era tudo ilusão.

    Ao subir a rampa, Lula entregou os principais ministérios e a condução do Planalto e da economia a aliados do PT. Deixou ao vice a missão de conduzir a pasta do Desenvolvimento, a tarefa enfadonha, aos olhos do petista, de ouvir empresários e abrir canais de interlocução com o setor produtivo e o mercado.

    Para Alckmin, o papel também tinha seu valor. Resgatado pelo petista do ostracismo, o vice atuou como soldado de Lula. Teve momentos de algum protagonismo, mas sempre distante do núcleo decisório petista comandado por Rui Costa na Casa Civil.

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    Ao anunciar que Alckmin seria seu vice e parceiro de governo, Lula também deixou claro que não disputaria uma reeleição. Palavras ao vento, como tantas outras promessas não cumpridas no atual mandato.

    O petista vai agora disputar seu quarto mandato, mas julga já não precisar de Alckmin ou de uma “frente democrática” para lustrar seu discurso.

    O papel de avalista se foi e sobrou a Alckmin a constrangedora posição de figura “substituível” no governo. O discurso sobre a “mais importante aliança já feita entre todas as alianças de esquerda” deu lugar a movimentos de bastidores para convencer algum outro partido — PSD, MDB, por exemplo — a apoiar o petismo na disputa eleitoral.

    Fosse Lula um presidente grato e satisfeito com o vice que tem, já teria dado uma declaração definitiva para conter o fogo amigo petista que busca abandonar Alckmin. Lula, no entanto, fica em silêncio enquanto o parceiro frita em fogo alto no mundo político.

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