‘Carnaval não é palanque’, diz vice-líder de Bolsonaro na Câmara
'Desfile da Acadêmicos de Niterói ultrapassou os limites do debate cultural e ingressou em terreno de grave preocupação institucional', diz Zucco
Vice-líder da oposição bolsonarista na Câmara, o deputado Zucco cobrou, nesta segunda, uma resposta dura das autoridades para o desfile eleitoral de Lula na Sapucaí.
“O que se viu na avenida não foi apenas manifestação artística. Houve exaltação direta de liderança política em ano eleitoral, defesa explícita de legado governamental, referências associadas a campanhas passadas e a presença do próprio homenageado e da primeira-dama no centro do espetáculo. A convergência entre narrativa, palco e figura política cria, no mínimo, indícios que merecem apuração quanto à possível promoção eleitoral antecipada”, diz Zucco.
O deputado destacou o fato de o desfile da Acadêmicos de Niterói não se limitar a fazer propaganda da obra de Lula, mas também atacar adversários políticos do petista.
“Foram apresentadas alegorias que ridicularizam adversários políticos e, de forma ainda mais sensível, representações que atingem diretamente milhões de brasileiros em sua fé. A caracterização depreciativa da família e de valores cristãos não pode ser relativizada sob o argumento de liberdade artística. A Constituição Federal garante a liberdade religiosa e a dignidade da pessoa humana como pilares do Estado Democrático de Direito. Liberdade de expressão não é licença para escárnio religioso”, diz Zucco.
Para o deputado, o precedente aberto por Lula no Carnaval é grave: “Se naturalizarmos a utilização de grandes eventos populares como plataforma indireta de promoção política, amanhã qualquer governante candidato poderá buscar ‘homenagens’ semelhantes para ampliar sua visibilidade em ambiente de massa, comprometendo a isonomia do processo eleitoral”.
A oposição, segundo Zucco, “não se furtará ao seu papel constitucional de fiscalização e controle”: “Serão analisadas, com responsabilidade jurídica, medidas cabíveis junto aos órgãos competentes, incluindo a Justiça Eleitoral e demais instâncias de controle, para que se apure eventual propaganda extemporânea, abuso de meios de comunicação e possíveis violações a direitos fundamentais”.
Também serão estudadas providências relacionadas à proteção da liberdade religiosa, diante da forma como valores cristãos foram retratados no desfile. “Não se trata de debate cultural. Trata-se de preservar regras eleitorais claras, respeito à fé do povo brasileiro e equilíbrio democrático”, diz o deputado.





