Clínica, hospital e laranjas estão no mapa de crimes do Master, revela PF
Crimes do Master foram denunciados à PF por 'e-mail anônimo', revela decisão de Toffoli
A decisão do ministro Dias Toffoli, que mandou bloquear recursos e quebrar sigilos de investigados no esquema do Banco Master, mostra que as denúncias de crimes cometidos por Daniel Vorcaro chegaram até a Polícia Federal de um modo curioso: “por meio de uma mensagem de e-mail anônima no endereço institucional da corporação”. O esquema do Master, segundo a PF descobriu, envolve laranjas e diferentes empresas, como clínica, hospital e plano de saúde.
As investigações, segundo a decisão de Toffoli mostram que o banco de Vorcaro teria articulado uma estrutura para circular ativos sem liquidez e com preços artificialmente inflados por meio de fundos de investimento.
A análise técnica dos investigadores revelou que o Master direcionava recursos captados no mercado (via emissão de CDBs) para fundos nos quais ele próprio era o único cotista.
Um dos pontos centrais da investigação é a utilização de laranjas para viabilizar as operações. A PF cita o caso da Clínica Mais Médicos, que emitiu 361 milhões em “NCs” sem quaisquer garantias.
“Sendo que seu capital social integralizado era zero e sua receita operacional bruta anual (R$ 54.079,64 em 2023) era superada pelo valor da dívida em mais de 6.500 vezes, o que demonstra uma alavancagem manifestamente incompatível com qualquer parâmetro de viabilidade econômica”, diz a PF.
Além disso, o descompasso entre a dívida e a capacidade operacional da empresa foi reforçado pela condição de sua presidente e sócia, Valdenice Pantaleão. A presidente da clínica foi identificada como beneficiária de auxílio emergencial em 2020 e 2021 e não possui patrimônio compatível com o cargo, reforçando a tese de que agia como fachada para ocultar os verdadeiros operadores. Valdenice teria outorgado procuração a Fernando Alves Vieira, indivíduo com vínculos diretos com familiares dos sócios do Banco Master.
A clínica de Valdenice, segundo a PF, está ligada ao Hospital da Criança de São José, que também emitiu NCs estimadas em 372 milhões de reais. Outras empresas vinculadas aos sócios, como a Holding AF S.A. e Simetria Planos de Saúde, reproduziram, segundo a PF, “o mesmo padrão de emissão de NCs adquiridas pelos fundos do Master”.
“Assim, dos mais de R$ 3,5 bilhões investidos pelo Master em fundos dos quais é cotista único, aproximadamente 1,8 bilhão de reais foi destinado à aquisição de NCs emitidas por empresas vinculadas aos próprios sócios, o que caracteriza a presença de fortes indícios de estruturação financeira irregular e simulação de operações, resultando, após a consolidação com as operações correlatas, em um valor global de R$ 5.775.234.097,25”, diz a PF.





