Datas: Constantino de Oliveira Jr., William Foege e Sly Dunbar
As despedidas que marcaram a semana
Ele voava baixo, como campeão de velocidade nas pistas de automobilismo. Foi piloto de kart nos anos 1990, depois da Fórmula Ford e F-3. Mas Constantino de Oliveira Jr. será lembrado na história dos negócios do Brasil por caminhar nas nuvens, ao fundar, em 2001, a Gol Linhas Aéreas Inteligentes, a primeira do país chamada de low cost e que rapidamente se expandiu. Apaixonado por mecânica e aviação desde a infância, decidiu trilhar caminho diferente do pai, Nenê Constantino, um dos imperadores das companhias de ônibus.
A Gol tem hoje 36% do mercado de passageiros domésticos no Brasil, à frente das concorrentes. Opera em 23 destinos internacionais. Em 2024, a empresa anunciou que a companhia e suas subsidiárias entraram voluntariamente com pedido de Chapter 11 no Tribunal de Falências dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York. O objetivo do processo seria “reestruturar as obrigações financeiras de curto prazo e fortalecer sua estrutura de capital”. A operação tem funcionado. Constantino Jr. morreu em 24 de janeiro, aos 57 anos, de câncer.
Um herói da medicina
Alto como um jogador de basquete (tinha mais de 2 metros de altura) e com a paciência inigualável de um filho de pastor messiânico, o americano William Foege foi responsável por uma das grandes vitórias da medicina: a erradicação da varíola, doença que ao longo da história matou mais de 500 milhões de pessoas. Como diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, o CDC, durante os governos do democrata Jimmy Carter e do republicano Ronald Reagan, ele desenhou estratégias de imunização que se repetiriam pelo mundo, a partir de experiências na África. Não por acaso foi condecorado por Barack Obama. Foege foi fundamental também nos primeiros anos da aids, na década de 1980. Morreu em 24 de janeiro, aos 89 anos.
Uma lenda do reggae
Em meados dos anos 1970, a dupla jamaicana Sly and Robbie começou a construir uma trajetória lendária no reggae raiz ao acompanhar astros como Bob Marley. O baterista Sly Dunbar e o baixista Robbie Shakespeare rapidamente viraram marcas de qualidade, cobiçados como poucos. Eles mesmos estimaram ter participado de 200 000 gravações, ao lado de Marley, Peter Tosh e de vários maiorais do ritmo jamaicano. Tocaram também com estrelas de outros gêneros, como Bob Dylan, Joe Cocker, Madonna e Sinéad O’Connor. Muitos desses registros entraram para a história. O francês Serge Gainsbourg, que tratou de entortar a pompa da Marselhesa, em Aux Armes et cætera, de 1979, não teve dúvida: chamou os amigos de Kingston para o estúdio. O resultado é uma obra-prima de provocação e suingue. Robbie morreu em 2021, aos 68 anos. Sly em 26 de janeiro, aos 73 anos.
Publicado em VEJA de 30 de janeiro de 2026, edição nº 2980





