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Do verde às cinzas: queimadas em escala recorde tomaram conta do Brasil em 2024

As chamas denunciam o nefasto impacto da soma da ação humana, tantas vezes criminosa ou resultado de inépcia, com as mudanças climáticas

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 dez 2024, 08h00

Se águas mataram no Sul, os campos arderam em outros cantos do Brasil. De celeiro do mundo, o país se transformou em monstruosa chaminé. Nossos quatro principais biomas — Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica — queimaram três vezes mais em 2024 do que no ano passado, acarretando perdas irreparáveis em uma área nativa do tamanho do estado de Roraima. Mesmo os moradores de grandes capitais, mais acostumados ao concreto do que ao verde, sentiram os efeitos dos incêndios à distância. Belo Horizonte, Brasília e São Paulo também viram o céu escurecer, tingido pela fuligem. Sob fumaça, a metrópole paulista, que já convive com os gases expelidos por automóveis, ganhou manchetes internacionais: tornou-se a cidade mais poluída do globo durante cinco dias consecutivos em setembro.

As queimadas em escala recorde denunciam o nefasto impacto da soma da ação humana, tantas vezes criminosa ou resultado de inépcia, com as mudanças climáticas. Foram resultado de uma mistura de fatores, como elevação da temperatura, manejo irresponsável da água, devastação de matas nativas e essenciais ao equilíbrio ecológico e falta de chuva em quase todo o território nacional. Com exceção da região Sul, as precipitações começaram a chegar, de fato, só em outubro. A seca foi extrema e castigou sem dó o Pantanal e a Amazônia por muito mais tempo que o habitual — uma das mais importantes hidrovias do Norte, a do Rio Negro, desceu ao menor nível dos últimos 122 anos.

Se o ambiente já era favorável ao fogo, o homem fez questão de acender a faísca. O Brasil ainda é uma das poucas nações que permitem, de forma regulada, o uso de queimadas para liberação de terras. O governo federal bem que tentou evitá-las ao emitir um alerta sobre a necessidade de coibir a atividade, mas não adiantou. Agora a conta a pagar é alta: os recursos para debelar os incêndios superaram os 230 milhões de reais e gastos acima do teto fiscal foram autorizados a fim de apagar as chamas. Superada a crise (por ora), ficam as cicatrizes para um povo que tanto se orgulhou de morar em um país bonito por natureza.

Publicado em VEJA de 20 de dezembro de 2024, edição nº 2924

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