Ibovespa cai após IPCA-15 acima do esperado e nova ameaça de Trump
Por volta das 11h15, o Ibovespa caía 0,47%, aos 184.554,22 pontos
O Ibovespa recua nesta quinta-feira, 26, após dados de inflação acima do esperado reforçarem a percepção de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo do que o previsto. Além disso, a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã para que aceite uma proposta de paz indica que o conflito está longe do fim, o que impulsiona os preços do petróleo e amplia os temores do mercado em relação à inflação global.
Por volta das 11h15, o Ibovespa caía 0,47%, aos 184.554,22 pontos. O dia é negativo para o mercado de capitais após a divulgação da prévia da inflação de março. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,44%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o IBGE, o resultado foi pressionado principalmente pela alta dos alimentos, que avançaram 0,88% até a primeira quinzena de março. O IPCA-15 desacelerou em relação a fevereiro, quando havia registrado alta de 0,84%. Ainda assim, o dado veio bem acima das expectativas do mercado, que projetava uma alta de 0,29% no mês.
André Valério, economista sênior do Inter, afirma que, apesar de o dado ter vindo pior do que o esperado, a composição do índice mostrou melhora relevante em relação a fevereiro. Segundo ele, a média dos núcleos desacelerou de 0,66% em fevereiro para 0,36% em março. Ainda assim, a média móvel de três meses avançou de 0,47% para 0,48%, ainda bastante influenciada pelo desempenho de janeiro e fevereiro.
Valério destaca que a média dos núcleos de março veio em linha com a de dezembro, reforçando a avaliação de que a piora recente foi consequência da sazonalidade típica do início do ano no IPCA. No acumulado de 12 meses, a média dos núcleos voltou a desacelerar e atingiu 4,34%, o menor nível desde dezembro de 2024.
“O dado de março reforça a visão de que a piora recente da inflação foi causada por fatores sazonais. Vemos os principais indicadores retornarem à tendência observada antes de dezembro de 2025, o que reforça que o processo de desinflação persiste”, diz Valério.
O economista pondera, no entanto, que o dado divulgado nesta quinta ainda não reflete integralmente a deterioração do cenário internacional provocada pelo conflito no Irã. Os combustíveis recuaram 0,03% em março, mas, no IPCA cheio, a expectativa é de uma pressão inflacionária mais significativa vinda da gasolina, já que o barril de petróleo acumula alta superior a 40% desde o início do conflito.
Diante desses fatores, o mercado passou a precificar uma elevação na curva de juros futuros, movimento que leva investidores a retirarem recursos da renda variável e migrarem para a renda fixa. Essa mudança pressiona a Bolsa nesta sessão.
Cenário externo também pesa sobre o Ibovespa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar nesta quinta-feira, 26, que o Irã está “implorando” por um acordo para encerrar a guerra travada contra americanos e israelenses há quase quatro semanas. Ele alertou que o país do Oriente Médio “deveria levar isso a sério logo, antes que seja tarde demais”.
“Os negociadores iranianos são muito diferentes e ‘estranhos’. Eles estão nos ‘implorando’ para fazermos um acordo, o que deveriam estar fazendo, já que foram aniquilados militarmente, sem nenhuma chance de retorno, e ainda assim declaram publicamente que estão apenas ‘analisando nossa proposta’. ERRADO!!! É melhor que levem isso a sério logo, antes que seja tarde demais, porque quando isso acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será nada bonito!”, escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.
A República Islâmica tem emitido sinais contraditórios sobre a possibilidade de negociações. Na noite de terça-feira, 24, surgiram os primeiros relatos de que o governo Trump elaborou um plano de cessar-fogo com 15 pontos, apresentado no dia seguinte aos iranianos por intermédio do Paquistão.
Oficialmente, a mídia estatal iraniana informou que Teerã rejeitou a proposta e apresentou suas próprias condições para o fim da guerra, entre elas o pagamento de indenizações por danos, o encerramento dos ataques contra grupos armados que compõem seu “eixo da resistência” na região e a reafirmação de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz. Reservadamente, porém, alguns veículos de imprensa indicam que autoridades iranianas estariam, ao menos, analisando o plano.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à mídia estatal que seu governo não participou de conversas para encerrar a guerra e que não planeja nenhuma negociação. Embora tenha reconhecido que os Estados Unidos tentaram enviar mensagens ao Irã por meio de outros países, disse que isso “não foi uma conversa nem uma negociação”.
Diante desse impasse, os preços do petróleo sobem 3,62%, a 100,78 dólares por barril. O movimento reforça a alta da commodity e reacende os temores de uma nova pressão inflacionária global, o que aumenta a aversão ao risco e pressiona ainda mais a Bolsa nesta quinta-feira.





