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Imbróglio judicial opõe MPF e estado do Rio na preservação de acervo da ditadura

Documentos históricos estão armazenados no antigo prédio do Instituto Médico Legal, na Lapa

Por Lucas Mathias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jan 2026, 11h14 • Atualizado em 19 jan 2026, 11h36
  • A preservação do acervo histórico do antigo Instituto Médico Legal (IML) no Rio opõe o Ministério Público Federal e o estado fluminense em um imbróglio judicial que se arrasta ao menos desde o ano passado. A disputa trata especificamente de um prédio antigo na Lapa, no Centro da cidade, onde até 2009 funcionava o IML. Lá, estariam guardados cerca de 440 mil itens iconográficos e aproximadamente 2,9 mil metros lineares de documentos. Para o MPF, no entanto, o edifício não conta com a devida segurança, tem registros de invasões e representa um risco para a papelada.

    No acervo, de acordo com o MPF, constam registros da Polícia Civil das décadas de 1930 a 1960 e materiais do período da ditadura militar, fundamentais para a apuração de desaparecimentos políticos e violações de direitos humanos. As inspeções realizadas por técnicos do órgão desde o ano passado, porém, apontaram condições graves de deterioração desse material, como documentos cobertos por fezes de pombos e microfilmes inflamáveis.

    No último dia 9, nova vistoria constatou sinais claros de invasão, como janelas quebradas e abertas, grades retiradas, arame farpado removido e até uma entrada clandestina criada a partir da retirada de um tapume, permitindo acesso direto ao interior do edifício. Apenas um guarda vigiava o local no momento da inspeção.

    Acervo do antigo IML, na Lapa, no Rio de Janeiro
    Acervo do antigo IML, na Lapa, no Rio de Janeiro (Marcelo Del Negri - Comunicação/MPF/.)

    Tal cenário fez com que o MPF ajuizasse, em setembro de 2025, uma ação civil pública para que fossem tomadas medidas urgentes de reforço na segurança do prédio do IML. No mês seguinte, o pedido foi atendido pela Justiça Federal, que determinou que a União reassumisse a posse do imóvel, nas mãos do estado do Rio desde 1965, e conduzisse a manutenção. A decisão, contudo, não prosperou.

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    Houve audiências de conciliação no mês de dezembro, sem grandes mudanças no cenário do edifício. O MPF, então, voltou a cobrar do estado e da União. A Justiça chegou a determinar o reforço da segurança e a remoção do acervo do local, o que foi suspenso com a análise do caso em segunda instância. Entre as medidas, por exemplo, estava a contratação de dez vigilantes para o imóvel, o que foi revertido no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

    O MPF tenta, agora, que ao menos a segurança do local seja mantida em condições corretas. Na última sexta-feira, 16, o órgão apresentou nova manifestação à Justiça Federal, em que destaca a obrigação do estado do Rio de Janeiro de assegurar a integridade do prédio e impedir invasões, o que exige a adoção imediata de medidas operacionais eficazes.

    Na manifestação, o procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo ressalta que a segurança atualmente prestada é insuficiente, conforme já apontado em laudos técnicos, e que a suspensão de um meio específico de vigilância não exime o estado do dever de proteger o imóvel e o acervo ali existente. O MPF pediu também que o estado do Rio se manifeste com urgência sobre o assunto.

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