Justiça do Rio condena editora por comercialização de livro nazista
Caso já corria há 20 anos na Justiça

A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que os irmãos Adalmir e Almir Caparros Fagá, sócios da Editora Centauro, de São Paulo, são culpados pela divulgação e venda do livro “Protocolos dos Sábios do Sião”, texto religioso que faz ataques a judeus em conteúdo racista e nazistas. Além disso, a editora foi condenada pela exposição do livro “Mein Kampf”, de Adolf Hitler, na Bienal do Livro de 2005.
Na época, o caso foi denunciado pela Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro. O resultado do processo – um dos mais antigos sobre antissemitismo na justiça brasileira – saiu em 11 de março deste ano. De acordo com os autos, a Editora Centauro fez ainda campanha em seu perfil oficial nas mídias sociais sobre os produtos.
Em um trecho destacado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a obra diz que: “Em vista de seu número relativamente pequeno, os judeus, sozinhos, certamente não podem vencer a população no meio do qual vivem como parasitas, mas inventaram um meio de suicídio para os cristãos, provocando habilmente entre eles discórdias intestinas e uma desorganização maldosamente preparada”.
“Ao se referirem ao ‘mais terrível e cínico plano subversivo da história, o plano dos judeus para dominar o mundo’ no site de divulgação do livro, os acusados também endossaram as mensagens preconceituosas veiculadas no livro apócrifo e discriminaram diretamente os povos de origem judaica”, afirmou o MPRJ.
Os irmãos Adalmir e Almir Caparros Fagá declararam no processo que a editora publica livros em diversas áreas e que não participaram da Bienal do Livro de 2005, citada na ação.