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Meninas sofrem mais do que meninos durante a adolescência, revela IBGE

Elas são mais propensas a se sentirem tristes, solitárias e a terem pensamentos depressivos

Por Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 mar 2026, 11h20 | Atualizado em 26 mar 2026, 10h19
  • Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), divulgados nesta quarta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traçam um panorama preocupante sobre a saúde mental dos adolescentes brasileiros, evidenciando uma vulnerabilidade significativamente maior entre as meninas. Enquanto um em cada três jovens (32%) relatou já ter sentido vontade de se machucar de propósito, o percentual salta para 43,4% quando consideradas apenas as estudantes do sexo feminino, mais que o dobro do registrado entre os meninos (20,5%).

    A pesquisa, realizada em 2024 com alunos de 13 a 17 anos de escolas públicas e privadas de todo o país, incluiu pela primeira vez um questionário específico sobre autolesão, acendendo um alerta para a ideação automutilatória entre os jovens.As disparidades de gênero se repetem em praticamente todos os indicadores emocionais analisados. O estudo revela que uma em cada quatro meninas (25%) considera que a vida não vale a pena ser vivida, um índice que também é mais que o dobro do observado entre os meninos (12%).

    Além disso, 41% das jovens relataram sentir-se tristes na maioria das vezes ou sempre, enquanto entre os rapazes esse índice é de 16%. A autoavaliação de saúde mental negativa atinge 22,9% das alunas, mais do que o triplo dos 6,8% registrados entre os alunos, segundo o levantamento.

    A pesquisa também destaca a maior exposição das meninas a situações de violência e pressão social. Elas são as principais vítimas de bullying (30,1% contra 24,3% dos meninos) e apresentam níveis muito mais elevados de insatisfação corporal (36% contra 18%) e sensação de abandono (33% contra 19%). O relatório do IBGE aponta que o sentimento persistente de tristeza é um indicador clássico para a investigação de depressão, enquanto a preocupação excessiva com o cotidiano, relatada por 61% das meninas (contra 38,8% dos meninos), faz parte do diagnóstico para a ansiedade.

    Em relação aos aspectos socioeconômicos, os dados mostram que alunos da rede pública estão em situação de maior vulnerabilidade. O percentual de estudantes que sentem que a vida não tem sentido é de 19,4% na rede pública, contra 13,9% na rede privada. Regionalmente, o Norte do país apresenta a maior taxa para esse indicador (20,8%), enquanto as regiões Sul e Sudeste registram os menores índices.

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    Apesar da gravidade dos números atuais, o estudo observou uma melhora em relação a 2019, antes da pandemia, quando os indicadores de saúde mental negativa eram ainda mais altos, contrariando a expectativa de uma piora no pós-pandemia. O relatório do IBGE aponta como urgente a criação de iniciativas que contemplem as diferenças entre os sexos para garantir o bem-estar e a capacidade de contribuição das jovens para a sociedade.

    Para quem precisa de apoio, serviços como o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do SUS estão disponíveis para oferecer acolhimento e atendimento.

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