Os critérios dos EUA para enquadrarem PCC e CV como grupos terroristas
Possível ação do governo de Donald Trump já foi utilizada contra criminosos do México e Venezuela
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia enquadrar as principais organizações criminosas brasileiras como “terroristas” em uma nova ação contra grupos transnacionais que atuam no tráfico de drogas, armas e infiltração nas instituições públicas. Para que isso ocorra, os americanos apontam três critérios principais: ser grupo estrangeiro, ter capacidade para ações criminosas de alto padrão do tipo terrorismo e representar ameaça à segurança de cidadãos ou ao país norte-americano.
Estão na mira do governo americano o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), apesar de não existirem, até o momento, documentos que comprovem atuação dos bandos em solo americano para tráfico de drogas ou de armas ou crimes comuns. Em levantamento realizado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em 2025, há citação de que o PCC atue em presídios do exterior apenas para recrutar membros, incluindo todos os países sul-americanos, México, Estados Unidos, Europa Ocidental e até o Japão.
São de conhecimento público também as alianças firmadas entre PCC e CV com organizações criminosas como a italiana ‘Ndrangheta para atuar internacionalmente no tráfico de drogas. Os entorpecentes produzidos principalmente entre Colômbia, Peru e Bolívia são transportados por diversos meios até chegarem à Europa, por exemplo. Uma das estratégias é passar as drogas por território brasileiro até os portos de Santos ou Paranaguá, respectivamente, São Paulo e Paraná.
A atuação dos Estados Unidos para classificar organizações criminosas como terroristas não é de agora. Em fevereiro do ano passado, o governo americano declarou como terroristas grupos do México (cartéis de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste) e a organização Tren de Aragua (Venezuela).
“A intenção de designar esses cartéis e organizações transnacionais como terroristas é proteger nossa nação, o povo americano e nosso Hemisfério. Isso significa interromper as campanhas de violência e terror desses grupos cruéis nos Estados Unidos e internacionalmente. Essas designações fornecem a autoridades policiais ferramentas adicionais a fim de interromper as ações desses grupos”, disse na ocasião o secretário de Estado, Marco Rubio. “As designações terroristas desempenham um papel crucial em nossa luta contra o terrorismo e são uma maneira eficaz de restringir o apoio a atividades terroristas. As medidas de hoje (fevereiro de 2025) adotadas pelo Departamento de Estado demonstram o compromisso do governo Trump em proteger nossos interesses de segurança nacional e desmantelar essas organizações perigosas.”
Desde a decisão, o governo americano bombardeou barcos apontados como utilizados pelos criminosos do Tren de Aragua para levar drogas aos Estados Unidos. Em Nova York, a polícia local prendeu diversos integrantes do bando venezuelano.





