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PF investiga sete brasileiros em rede internacional de abuso de mulheres dopadas

Três suspeitos são alvos de mandado de prisão; estupros das vítimas foram filmados e compartilhados na internet

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 08h41 | Atualizado em 11 fev 2026, 09h05

Nesta quarta-feira, 11, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra sete brasileiros suspeitos de integrar uma rede internacional de abuso sexual de mulheres sob efeito de sedação. O grupo criminoso é investigado por dopar as vítimas, filmar os estupros e compartilhar os vídeos por meio das redes sociais.

Três dos investigados são alvos de mandados de prisão temporária, e os agentes cumprem outras sete ordens de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Ceará, Bahia, Pará e Santa Catarina. De acordo com a PF, as investigações tiveram início em 2025 em cooperação com a Europol, agência policial ligada à União Europeia, e a atuação do grupo criminoso foi identificada em mais de vinte países.

Ao longo da investigação, a PF detectou mensagens trocadas pelos brasileiros sobre o uso de medicamentos com propriedades sedativas — nas conversas, os suspeitos discutiam marcas comerciais de remédios anestésicos e os possíveis efeitos colaterais que as vítimas poderiam sofrer. A operação, batizada de Somnus, apreendeu celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados e outros materiais potencialmente relacionados aos abusos.

Entre os crimes investigados estão estupro de vulnerável e divulgação de cena de estupro. O inquérito identificou, ainda, indícios de manifestações de ódio, repulsa e objetificação de mulheres no ambiente digital, caracterizando conduta enquadrada pela Lei nº 13.642/2018.

A operação de hoje não é o primeiro episódio de cooperação entre Brasil e Europa no combate à violência contra a mulher. Em setembro do ano passado, PF e Europol desmontaram um esquema de tráfico de mulheres brasileiras para exploração sexual em países na União Europeia, resultando na prisão de quatro pessoas no Brasil e quatro na Irlanda — ao menos 28 vítimas da rede já foram identificadas pela investigação policial, com os crimes sendo praticados ao menos desde 2017, e o grupo também foi indiciado por lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.

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