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20 reais: O motivo para o menino ter ficado em cela no Piauí

A polícia suspeita que pai tenha deixado filho dormir em cela de estuprador em troca de “bico” na lavoura do presídio, pelo qual receberia 20 reais

Por Ullisses Campbell, de Teresina
6 out 2017, 08h26 • Atualizado em 6 out 2017, 08h27
  • A Polícia Civil do Piauí suspeita que o agricultor Gilmar Francisco Gomes, de 49 anos, tenha deixado o filho de 13 anos passar a noite na cela do detento José de Ribamar Pereira Lima, de 52, em troca da promessa de que poderia trabalhar na horta da Colônia Agrícola Major César Oliveira. A lavoura é administrada pelos presos, que comercializam os produtos e, em época de colheita, contratam trabalhadores, a quem pagam 20 reais por dia. Ribamar cumpre pena de dezoito anos por ter estuprado um menor de idade. O filho de Gomes disse em depoimento à polícia que Ribamar lhe deu um par de sandálias Havaianas de presente e havia prometido comprar um videogame e um telefone celular no Dia das Crianças para ele e para o irmão mais novo.

    O garoto foi encontrado por agentes penitenciários na madrugada de domingo 1º na cela do estuprador, escondido debaixo da cama. “Testemunhas relatam que Gomes vivia pedindo um posto fixo na colheita. Todas as vezes que falava disso, o Ribamar reclamava da solidão que sentia à noite na cela”, diz o delegado Jarbas Lopes de Araújo. Segundo o inquérito, Gomes e Sebastiana da Silva, sua mulher, foram no sábado, a convite de Ribamar, trabalhar na irrigação da lavoura com dois filhos, o garoto de 13 anos e o caçula, de 9. Em troca, cada um ganhou um prato de comida. Gomes é analfabeto e também já foi preso duas vezes por estupro. Ficou oito anos na cadeia, onde conheceu Ribamar. O casal tem outros quatro filhos e mora na zona rural do município de Altos, a 40 quilômetros de Teresina, cidadezinha com 38 000 habitantes e mais bicicletas do que carros nas ruas.

    À tarde, o menino mais velho perguntou à mãe se poderia dormir no presídio. “Pra quê, menino?”, questionou Sebastiana. Gomes interveio e disse “com veemência”, segundo o inquérito, que o garoto ficaria lá, já que Ribamar, seu “compadre”, se queixava de solidão.

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