Presidente do Rioprevidência é exonerado após operação da PF
Deivis Marcon pediu para deixar o cargo; ao governador Cláudio Castro, disse que decisão foi tomada para assegurar lisura de investigação sobre sua gestão
O presidente do Rioprevidência, fundo de aposentadorias dos servidores do estado do Rio, Deivis Marcon Antunes, pediu exoneração do cargo nesta sexta-feira, 23, após a casa dele ser alvo de buscas da Polícia Federal em uma investigação sobre suspeitas de irregularidades em aportes no Banco Master. A exoneração já foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial.
Em ofício ao governador do Rio, Cláudio Castro (PL), Deivis justificou que a decisão foi tomada para assegurar a transparência e lisura das investigações sobre sua gestão. Também afirmou que está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.
“Enfatizo que repilo tentativas de inquinar como ilegal qualquer ato que pratiquei na gestão do Riopreviência, pois, como disse, sempre agi com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos, conduta essa que sempre pautou minha vida profissional nos locais onde
trabalhei”, diz um trecho do documento.
No mesmo ofício, o presidente do Rioprevidência agradece a Cláudio Castro pela “confiança depositada”. “Levo comigo o reconhecimento pelo trabalho conjunto realizado e a convicção de ter cumprido, com responsabilidade e espírito público, a missão que me foi confiada, deixando como legado uma instituição mais sólida e respeitada”, segue Deivis.
Na manhã de hoje, a Polícia Federal esteve na casa dele, em Botafogo, na zona sul do Rio, onde apreendeu documentos, um carro e quase 7 mil reais em dinheiro vivo. Os policiais federais tiveram que chamar um chaveiro para entrar no imóvel, que estava vazio. Deivis está nos Estados Unidos. Segundo ele, a viagem de férias estava programada e as passagens emitidas desde novembro de 2025.
A PF cumpriu apenas mandados de busca nesta fase da investigação. Não havia ordem de prisão ou medidas cautelares contra o dirigente do fundo. Os policiais federais também estiveram na sede do Rioprevidência e nos endereços de Euchério Rodrigues (ex-diretor de investimentos) e Pedro Pinheiro Guerra Leal (ex-gerente de investimentos).
O fundo de aposentadorias estava sob o comando de Deivis desde 2023. Na gestão dele, foram investidos R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Segundo a PF, essas operações “expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”. Em nota, o Rioprevidência disse que todos os investimentos “observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle”.
A Operação Barco de Papel foi autorizada pela 6.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. O inquérito teve início em novembro, a partir de uma auditoria do Ministério da Previdência Social, que identificou o crescimento incomum dos investimentos do Rioprevidência no banco de Daniel Vorcaro. A fiscalização apontou a mudança no padrão de investimentos. Segundo o ministério, o movimento foi capturado por métricas de risco e avaliação do comportamento de mercado.
A Polícia Federal apura se houve irregularidades na aprovação dessas aplicações. Os crimes investigados são associação criminosa, corrupção passiva, gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor e crimes contra o sistema financeiro nacional.






