Quem é Oruam, rapper foragido após mais de 60 violações à tornozeleira eletrônica
Juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, expediu um mandado de prisão preventiva contra o artista, que não foi encontrado pela Polícia Civil na quarta
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, foi considerado foragido na terça-feira, 4, após ter o habeas corpus revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por 66 violações à tornozeleira eletrônica. O dispositivo foi desligado por intervalos de até 10 horas entre 30 de setembro e 12 de novembro do ano passado. Na tarde de quarta, juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, expediu um mandado de prisão preventiva contra o artista, que não foi encontrado em sua residência — localizada no Joá, na Zona Sul do Rio de Janeiro — pela Polícia Civil.
Com mais de 11 milhões de ouvintes mensais no Spotify, Oruam, de 25 anos, é filho de Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, preso há quase três décadas e chefe histórico do Comando Vermelho (CV). Assim como o pai, tem um histórico de problemas com a Justiça. Em julho do ano passado, agentes foram até a casa do cantor para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um menor, acusado por atos infracionais análogos a roubo e tráfico de drogas, que estava no local.
De acordo com a Polícia Civil, o adolescente seria integrante de uma facção criminosa, um dos maiores ladrões de veículos do estado e o segurança pessoal do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca. O Oruam teria, então, incitado a resistência policial ao lado de cerca de oito pessoas. As testemunhas relataram que o grupo lançou pedras contra os agentes, lesionando o policial civil Alexandre Alves Ferraz — que aparece ferido nas imagens anexadas aos autos — e danificando uma viatura. A ofensiva permitiu que o adolescente, considerado foragido, escapasse do cerco.
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No todo, Oruam é acusado pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal, incluindo denúncias por duas tentativas de homicídio qualificadas — relacionadas às agressões contra os policiais. Foi preso em três vezes no ano passado. Em setembro, ficou 69 dias detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio. Quando deixou as grades, usou as redes como palco para fazer ecoar versos em defesa própria, como: “O Estado massacra demais / Prenderam só um menino que estava parecido com o pai”.
Na nova decisão do STJ, o ministro Joel Ilan Paciornik salientou que o rapper “denota não guardar qualquer respeito, não somente às autoridades policiais, mas também às decisões judiciais”. Ele também afirmou que “a inobservância reiterada da obrigação de manter a tornozeleira eletrônica carregada não caracteriza mera irregularidade administrativa, mas comportamento que revela risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal”. O panorama, disse o relator, leva a crer que há risco de fuga por parte de Oruam — que logo sumiu do mapa e, até o momento, não tratou de aparecer. É acompanhar as cenas dos próximos capítulos da queda de braço com o filho de um dos maiores traficantes da história do Brasil.






