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Quem é Zé Carioca, cérebro de esquema interestadual de armas feitas em impressoras 3D

Ele foi preso no âmbito da Operação Shadowgun e responderá pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 16h46 • Atualizado em 12 mar 2026, 16h51
  • O engenheiro Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, de 26 anos, foi preso nesta quirta-feira, 12, acusado de liderar um esquema interestadual de venda de armas fabricadas com impressoras 3D. Segundo uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ele era conhecido como Zé Carioca e foi responsável por criar, vender e divulgar o material bélico em fóruns e na dark web. Ele usava o slogan “Testado nos EUA, projetado no Brasil e feito na sua casa”.

    “Apesar dos esforços de Zé Carioca para manter-se anônimo fora do ambiente virtual, a investigação revelou não apenas sua verdadeira identidade, mas também o esquema ilegal que ele liderava, voltado à produção e à venda, pela internet, de peças e acessórios de armas de fogo. De acordo com a denúncia, além da divulgação de arquivos digitais para impressão, foi constatada a comercialização sistemática de peças e acessórios por ele produzidos e desenvolvidos em conjunto com a organização criminosa”, informou o MPRJ em nota.

    Ao todo, cinco foram presos no âmbito da Operação Shadowgun, deflagrada pela Polícia Civil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Entre eles, está Gianluca Bianchi. O MP do Rio afirmou que o seu pai “possui empresa especializada em ferragens com vínculos com o grupo criminoso, indicando que estaria sendo usada para o desenvolvimento das partes metálicas necessárias para o funcionamento do armamento 3D”.

    Mais cedo, foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão na Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. A investigação identificou 10 clientes espalhados pelo estado do Rio de Janeiro. A 32ª DP (Taquara) apura o destino das armas, com suspeita de que os armamentos foram adquiridos pelo tráfico de drogas e por milícias. A Polícia Civil informou que um dos compradores está preso por porte de “grande quantidade de armas e munições”.

    + Operação mira esquema interestadual de venda de armas fabricadas em impressoras 3D

    Tutorial e manifesto ideológico

    Sob pseudônimo, Queiroz divulgou um manual de mais de 100 páginas em que descrevia “detalhadamente todas as etapas necessárias para a fabricação da arma, permitindo que qualquer pessoa com conhecimentos intermediários em impressão 3D pudesse produzir o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo”, de acordo com a Polícia Civil.

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    O documento, amplamente disseminado, também era acompanhado por “um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas”, além do uso de criptomoedas para financiar a organização criminosa. A quadrilha fabricava, principalmente, armas semiautomáticas e carregadores alongados de pistolas de diversos calibres. O material bélico era comercializado na internet. Entre 2021 e 2022, o grupo efetuou vendas para 79 compradores.

    “As investigações identificaram que, nos anos seguintes, ele (Queiroz) passou a negociar com os compradores por meio de outros canais e plataformas. Os compradores estão espalhados por 11 estados brasileiros”, disse a corporação, acrescentando que a maioria deles tinha antecedentes criminais por tráfico e delitos graves.

    Os denunciados responderão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo. A competência foi estabelecida no Rio de Janeiro, estado com o maior número de compradores identificados.

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