Relembre as idas e vindas do caso Marielle até o julgamento no STF
Assassinato da vereadora completa oito anos em março
Executada a tiros em 2018, em um atentado que chocou o país, a vereadora carioca Marielle Franco, de 38 anos, se tornou símbolo da luta por direitos humanos. A morte, decorrente da expansão das milícias no Rio, extrapolou o contexto da crise de segurança fluminense e ganhou a atenção do país. Depois de oito anos, os mandantes do crime estão no banco dos réus e serão julgados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Polícia Civil do Rio e o Ministério Público do Estado deram os primeiros passos no inquérito, marcado por idas e vindas e, como se descobriu posteriormente, por tentativas de blindar os reais responsáveis pelo crime, que vitimou também o motorista Anderson Gomes.
Os assassinos Ronnie Lessa, atirador, e Élcio de Queiroz, que dirigia o carro usado na emboscada, foram presos em 2019. A investigação ficou em banho-maria até as autoridades convencerem Élcio a assinar um acordo de colaboração premiada, em 2023. Ele admitiu a participação no crime e detalhou o planejamento e a dinâmica do atentado, implicando Ronnie Lessa.
Pressionado, o matador de aluguel seguiu o mesmo caminho e confessou o envolvimento na morte da vereadora. A colaboração premiada, firmada em 2024, deu uma guinada no inquérito ao conectar os executores com os supostos mandantes do crime, os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal.
Como, na época, Chiquinho Brazão ainda exercia o mandato – ele foi cassado no ano passado – o inquérito foi transferido ao STF, por causa do foro privilegiado. O ministro Alexandre de Moraes assumiu a relatoria das investigações e decretou a prisão dos irmãos Brazão e do delegado de Polícia Civil Rivaldo Barbosa, suspeito de ter ajudado a planejar o crime e a obstruir as apurações, em março de 2024. Os três seguem presos – Chiquinho Brazão em prisão domiciliar e Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa em presídios federais.
Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados, na primeira instância, a 78 anos e 9 meses de prisão e a 59 anos e 8 meses de prisão, respectivamente.





