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Tortura e extorsão: o sistema de exploração do Comando Vermelho no coração da Lapa

Casarões históricos no centro do Rio são transformados em pontos de venda de drogas

Por Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 mar 2026, 18h37
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As investigações que deram origem à Operação Colmeia, que prendeu 14 pessoas nesta terça-feira, 16, no Rio de Janeiro, escancararam o tratamento brutal imposto pelo Comando Vermelho (CV) a dependentes químicos que circulavam pelos pontos de venda de droga da Lapa.

Imagens obtidas pela Polícia Civil, produzidas pelos próprios criminosos, flagraram usuários sendo imobilizados com fitas adesivas enquanto sofriam agressões. De acordo com o delegado Uriel Alcântara Machado, da Polinter, os traficantes promoviam verdadeiros julgamentos, nos quais decidiam, naquele momento, pela vida ou morte das vítimas. 

A facção também diversificou suas fontes de lucro por meio da cobrança de taxas ilegais de ambulantes que atuam em pontos estratégicos da Lapa. Comerciantes que montam barracas nas proximidades da Escadaria Selarón, um dos cartões-postais mais visitados da cidade, passaram a ser obrigados a desembolsar diariamente valores que chegam a R$ 130. A prática criminosa, orquestrada por Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, e seu aliado Endrew Silva Lima, o Di Mulher, já teria gerado um montante próximo a R$ 200 mil aos cofres da organização. 

O avanço das apurações revelou ainda a complexa estrutura logística mantida pelo CV para abastecer as bocas de fumo da região, que são constantemente realocadas para despistar a polícia. Casarões abandonados são ocupados e transformados em pontos improvisados de venda, com filas de compradores se formando a poucos metros dos Arcos da Lapa. A droga chega ao bairro transportada por mulheres e mototaxistas a partir do morro do Fallet/Fogueteiro, onde Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu, mesmo encarcerado, segue comandando as operações. 

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