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Vacina do Butantan é a mais segura do mundo, diz Dimas Covas

Segundo o diretor, efeitos colaterais mais sérios como febre, náusea, fadiga, perda de apetite e outros se manifestaram em menos de 3% dos 9.000 voluntários

Por Eduardo Gonçalves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 out 2020, 13h52 • Atualizado em 19 out 2020, 19h03
  • O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta segunda-feira, 19, que a vacina CoronaVac, que será produzida em São Paulo em parceria com a China, é “a mais segura do mundo”. Ao lado do governador João Doria (PSDB), ele apresentou os últimos resultados dos testes clínicos feitos com 9.000 voluntários no Brasil.

    Essa fase serve apenas para atestar que a vacina não oferece riscos, mas ainda é preciso passar pelo teste de eficácia, para saber se ela realmente previne a Covid-19, o que só deve ocorrer no final do ano ou início de 2021.

    “É a vacina mais segura neste momento, não no Brasil, no mundo. É o que mostram os dados científicos”, disse o diretor do Instituto Butantan. Os efeitos colaterais mais sérios, como febre, náusea, fadiga, perda de apetite, entre outros, se manifestaram em menos de 3% dos voluntários, que, segundo Covas, é “estatisticamente insignificante”. As reações que mais apareceram foram dor de cabeça (15%) e dor muscular no local da injeção (18%).

    “Todas [as vacinas] tiveram efeitos colaterais grau três, que são os mais importantes. A vacina do Butantan não teve”, completou o médico. A complicação de “grau três” ocorre quando um dos voluntários precisa ser hospitalizado em função de algum efeito colateral da vacina. Segundo as informações apresentadas pelo Butantan, a ocorrência de reações adversas entre os voluntários da CoronaVac foi de 35% ante ao menos 70% nas outras vacinas testadas.

    Em sua fala, Doria ressaltou que a CoronaVac é a vacina que está em estágio mais avançado de desenvolvimento em relações às outras que estão em teste no Brasil. As vacinas da AstraZeneca e Johnson & Johnson’s chegaram a ser suspensas por eventos adversos graves, o que não aconteceu com a do Butantan.

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    Resposta a Bolsonaro

    Desde a última semana, houve um estremecimento na relação entre o governador de São Paulo e o presidente Jair Bolsonaro, que, nos bastidores, já se colocam como adversários na eleição presidencial de 2022. Em resposta a Bolsonaro, que afirmou na sexta-feira, 16, em post no Twitter que qualquer vacina contra a Covid-19 não será obrigatória e será liberada “sem açodamento e no momento oportuno”, Doria declarou hoje que “o Brasil precisa mais do que nunca de paz, amor e vacina para salvar a vida dos brasileiros”.

    Bolsonaro vem tratando com desconfiança a vacina que está sendo produzida pelo Butantan e a empresa chinesa Sinovac. Nesta segunda-feira, em conversa com apoiadores em um canal na internet, ele afirmou que “tem um governador aí que está se intitulando o médico do Brasil, dizendo que ela (a vacina) será obrigatória”. “Repito que não será”, disse.

     

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