Violência contra as mulheres: um grito de socorro
Protesto reuniu 9 200 pessoas na região do Masp, na Avenida Paulista
Milhares foram às ruas do Brasil no domingo 7, levando cartazes e faixas em que clamavam por um basta na violência contra as mulheres, uma das chagas que mais desafiam o país. Os gritos foram ouvidos em dezenas de cidades, incluindo Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo, onde o protesto reuniu 9 200 pessoas na região do Masp, na Avenida Paulista, segundo projeção feita pela USP. A indignação foi alavancada pela sequência de casos chocantes, como o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, arrastada por 1 quilômetro em São Paulo, presa sob o carro do ex-namorado Douglas Alves da Silva, de 26 anos, que a atropelou após uma discussão — ela teve as duas pernas amputadas e segue internada em estado grave. De janeiro a outubro, 1 184 brasileiras foram vítimas de feminicídio, e outras 3 022 sobreviveram a tentativas de assassinato, número muito superior aos cerca de 800 registros totais de 2015, quando foi criada a lei que trata como tipo penal específico a morte de alguém apenas pelo fato de ser mulher. Só no ano passado, houve mais de 1 milhão de pedidos de medidas protetivas à Justiça, mas o suporte está longe do ideal — em um universo de 2 566 comarcas, só 175 têm varas especializadas nesse crime. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em torno de dois terços das vítimas são negras (63,6%), têm até 44 anos (70,5%) e foram atacadas em casa (64,3%). Em 79,8% dos casos, o agressor é o companheiro ou um ex-companheiro, que em metade dos episódios usa uma arma branca. Uma barbaridade que precisa ter fim.
Publicado em VEJA de 12 de dezembro de 2025, edição nº 2974








