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Aquecimento do oceano já atinge 80% dos recifes de corais do planeta, diz estudo

Levantamento global mostra que ondas sucessivas de calor no mar têm impedido a recuperação natural dos recifes e ampliado o risco de perdas permanentes

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 13h30 • Atualizado em 10 fev 2026, 13h37
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    Um levantamento global de abrangência inédita, publicado na revista Nature Communications, revela com clareza a dimensão do aquecimento dos oceanos e seus efeitos sobre os recifes de corais. Entre 2014 e 2017, durante o terceiro evento de branqueamento em massa já registrado, 80% dos recifes de corais do planeta foram afetados de forma moderada ou severa.

    O fenômeno do branqueamento ocorre quando o aumento da temperatura da água rompe a relação de simbiose entre os corais e as microalgas que vivem em seus tecidos e lhes fornecem energia. Como consequência direta, os corais perdem a coloração característica, interrompem seu crescimento e, quando submetidos a estresse térmico prolongado, podem morrer.

    O estudo indica que 35% dos recifes analisados sofreram mortalidade classificada como moderada ou elevada. Esse impacto não se restringe à biodiversidade marinha, mas alcança também economias locais que dependem diretamente dos serviços ecossistêmicos prestados por esses ambientes, como a pesca, o turismo e a segurança alimentar de populações costeiras.

     

     

    Por que a situação brasileira é particularmente preocupante?

    No cenário brasileiro, a gravidade da situação está relacionada à sucessão de eventos climáticos que vêm impedindo a regeneração natural desses ecossistemas. Embora o impacto do evento global ocorrido entre 2014 e 2017 tenha sido relativamente menor no país, ele deixou os recifes em um estado de fragilidade que os tornou mais suscetíveis a novas ondas de calor marinha registradas nos anos seguintes.

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    Esse quadro se agravou especialmente com a onda de calor marinha ocorrida entre 2019 e 2020, que encontrou os corais já debilitados e com menor capacidade de resposta.

    “Os corais ficaram muito vulneráveis e não tiveram tempo de se recuperar”, aponta Guilherme Longo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e um dos autores brasileiros do estudo. “Para algumas espécies isso está significando extinção local.”

    Essa vulnerabilidade acumulada abriu caminho para danos ainda mais intensos durante o quarto evento de branqueamento, registrado em 2024. Nesse episódio, foram observadas perdas de até 80% dos corais em determinadas áreas.

     

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