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Cães foram domesticados milênios antes do que se imaginava

Novos estudos situam a presença desses animais na Europa há quase 16.000 anos

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 mar 2026, 17h45 | Atualizado em 26 mar 2026, 10h17

De onde vêm os cães e desde quando eles acompanham as pessoas? Novos estudos situam a presença desses animais na Europa há quase 16.000 anos, ou seja, 5.000 anos antes do que estimavam pesquisas anteriores.”A origem dos cães – provavelmente uma mistura de dois tipos de lobos‑cinzentos – continua a ser um mistério fascinante”, afirma o geneticista sueco Pontus Skoglund, do Instituto Francis Crick, que participou de um amplo estudo genômico sobre os primeiros cachorros na Europa.

Reconstruir com precisão as origens da domesticação dos lobos‑cinzentos pelo ser humano revela‑se impossível com base apenas em restos arqueológicos de canídeos, já que os esqueletos de lobos e cães são difíceis de distinguir entre si. Dois estudos publicados esta semana na revista Nature tentam lançar alguma luz sobre esse mistério mediante a análise do DNA desses restos.

Em um primeiro estudo, a equipe liderada por William Marsh, do Museu de História Natural de Londres, em conjunto com outros 21 institutos de pesquisa, descobriu a evidência de DNA canino mais antiga do mundo. “Este cão viveu há 15.800 anos em Pinarbasi, na atual Turquia, na Anatólia central. Seu DNA provém de um fragmento de crânio. Provavelmente parecia um pequeno lobo. Era um filhote de poucos meses, provavelmente fêmea”, descreve Laurent Frantz, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique.

Cinco mil anos antes

Até agora, a evidência mais antiga de um cão datava de 10.900 anos. As novas descobertas apontam para uma domesticação muito mais antiga do que se pensava. “Não sabemos exatamente qual era o papel desses cães. Caçar, servir de alarme…? Também se pode supor que existia um vínculo entre as pessoas e os seus cães, especialmente as crianças. Embora não fossem animais de companhia no sentido atual, provavelmente existia uma relação muito forte. Em Pinarbasi, os filhotes estão enterrados sobre sepulturas humanas”, aponta Laurent Frantz.

Os pesquisadores constataram a presença de cães geneticamente semelhantes no Reino Unido, Alemanha, Itália, Suíça e Turquia durante o Paleolítico Superior, entre 15.800 e 14.200 anos atrás. Mas de onde eles vinham?

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Elo perdido

Em outra publicação, a equipe liderada pelo biólogo Anders Bergström comparou genomas obtidos de 216 esqueletos de canídeos, dos quais pelo menos 181 tinham origem em sítios pré‑neolíticos na Europa (Suíça, Bélgica, Alemanha, Armênia, Turquia, Suécia, Países Baixos, Dinamarca e Escócia).

Assim puderam demonstrar que a ascendência dos cães dos primeiros agricultores do Neolítico — há cerca de 6.000 anos na Europa — remonta diretamente aos cães das populações de caçadores‑coletores de mais de 14.000 anos atrás. Esse fato oferece uma nova perspectiva sobre as mudanças provocadas pela revolução agrícola do Neolítico.

Enquanto nos humanos a transição para a agricultura esteve acompanhada de migrações em grande escala desde o sudoeste da Ásia em direção à Europa, com uma importante mistura genética, isso não ocorreu no caso dos cachorros. “Essa foi a grande surpresa”, explica Anders Bergström. “Não observamos essa mistura nos cães.”

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A diferenciação entre os cães da Europa e os da Ásia ocorreu, portanto, antes e fora da Europa, provavelmente na Ásia. “Ainda existe uma lacuna genética entre cães e lobos. A busca pelo elo perdido continua”, conclui Pontus Skoglund.

(Com AFP)

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