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Caverna na Polônia revela sinais de canibalismo há 18 mil anos

Estudo revela que corpos foram desmembrados intencionalmente, sugerindo que o canibalismo pré-histórico pode ter sido mais comum do que se pensava

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 11 fev 2025, 15h47 - Publicado em 11 fev 2025, 15h35

Pesquisadores do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES-CERCA) e do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC) identificaram evidências de canibalismo pré-histórico na caverna Maszycka, na Polônia. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, analisou marcas em ossos humanos que sugerem o consumo de carne durante o período Magdaleniano, há cerca de 18 mil anos. 

A equipe analisou 53 fragmentos ósseos, pertencentes a pelo menos dez indivíduos – seis adultos e quatro crianças. Em quase 70% dos restos analisados, foram encontradas marcas de cortes e fraturas compatíveis com técnicas de desmembramento, remoção de carne e extração de tutano, um comportamento comum em processos de consumo de animais.

As marcas de corte estavam concentradas em regiões do corpo associadas ao aproveitamento de carne e gordura, como a base do crânio, articulações e longos ossos. Além disso, algumas ossadas apresentavam indícios de que o cérebro pode ter sido retirado, possivelmente para consumo. Essa prática já foi identificada em outros locais pré-históricos, o que reforça a hipótese de que o canibalismo fazia parte do repertório cultural desses grupos humanos.

Outro dado importante é que as fraturas nos ossos foram feitas quando eles ainda estavam frescos, ou seja, os corpos não passaram por um longo período de decomposição antes de serem manipulados. Isso indica que o canibalismo não foi um ato isolado ou oportunista, mas sim um comportamento intencional.

O canibalismo era uma necessidade ou um ritual?

Embora a ideia de comer carne humana seja frequentemente associada a situações extremas, os pesquisadores acreditam que, no caso da caverna Maszycka, o canibalismo pode ter ocorrido em um contexto ritualístico ou de guerra.

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Essa hipótese se baseia no fato de que, na mesma época e em outras partes da Europa, há evidências de ossos humanos transformados em ferramentas e adornos, o que sugere que o consumo da carne humana poderia ter um significado simbólico. Além disso, em sítios arqueológicos semelhantes, crânios foram esculpidos para formar “taças cerimoniais” e ossos foram trabalhados para fazer joias.

No entanto, há também a possibilidade de que o canibalismo tenha ocorrido como parte de um conflito entre grupos rivais. O estudo sugere que, após o fim da última era glacial, o aumento da população e a disputa por recursos poderiam ter levado a confrontos violentos, com grupos matando e consumindo inimigos como forma de afirmação de poder e dominação.

A caverna Maszycka não é o único local onde arqueólogos encontraram evidências de canibalismo entre os grupos do Paleolítico Superior. O estudo destaca que ao menos 17 sítios arqueológicos na Europa apresentam sinais de manipulação dos corpos humanos que sugerem práticas semelhantes.Entre os exemplos mais conhecidos, está a caverna de Gough, no Reino Unido, onde há evidências claras de canibalismo, incluindo crânios transformados em recipientes e ossos humanos misturados com restos de animais consumidos.

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Uma nova perspectiva sobre os povos pré-históricos

As descobertas em Maszycka mostram que os primeiros humanos tinham uma relação complexa com a morte e os restos mortais de seus companheiros. Enquanto algumas sociedades pré-históricas enterravam seus mortos com ornamentos e rituais, outras parecem ter tratado os corpos de maneira muito diferente, incluindo o consumo da carne.

A pesquisa reforça que o canibalismo pode ter sido uma prática mais comum do que se pensava, desafiando a visão tradicional de que nossos ancestrais apenas caçavam animais para sobreviver. Ainda há muito a ser descoberto sobre os motivos por trás dessas práticas, mas a caverna Maszycka oferece uma nova e instigante perspectiva sobre as sociedades do passado.

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