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Considerada a ‘mãe do GPS’, matemática americana morre, aos 95 anos

Trajetória de Gladys Mae West não foi apenas um triunfo do intelecto, mas um testemunho de resiliência contra as barreiras impostas pela segregação racial

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 jan 2026, 17h36 • Atualizado em 21 jan 2026, 07h01
  • O mundo da ciência despede-se de uma de suas gigantes silenciosas. Gladys Mae West, a matemática cujos complexos modelos da forma da Terra lançaram as bases fundamentais para o Sistema de Posicionamento Global (GPS), morreu no sábado, 17, aos 95 anos. A sua trajetória não foi apenas um triunfo do intelecto, mas um testemunho de resiliência contra as barreiras impostas pela segregação racial e de gênero nos Estados Unidos do século XX.

    Nascida numa família de agricultores no Condado de Dinwiddie, Virgínia, em 1930, Gladys rejeitou o destino nos campos de tabaco e algodão, vendo na educação a sua única rota de fuga. Formou-se como primeira da turma no ensino médio e obteve bolsa para a Virginia State College, onde concluiu a graduação e o mestrado em matemática. Em 1956, ingressou no Campo de Provas Naval de Dahlgren, tornando-se a segunda mulher negra contratada pela base e uma das únicas quatro funcionárias negras no local.

    Numa era em que a computação ainda engatinhava, West destacou-se pela programação de supercomputadores, como o IBM 7030 Stretch, para analisar dados de satélites. O seu trabalho mais decisivo envolveu a geodesia por satélite: a tarefa hercúlea de modelar matematicamente a forma irregular da Terra, conhecida como geoide. Como gerente do projeto Seasat, o primeiro satélite de sensoriamento remoto dos oceanos, West refinou os cálculos que permitiram medir a superfície terrestre com precisão de centímetros. Sem esse modelo matemático preciso, a tecnologia GPS que hoje guia desde operações militares até a navegação em smartphones seria impossível.

    Apesar da magnitude de suas contribuições, Gladys West permaneceu uma “figura oculta” durante décadas. O reconhecimento público só chegou tardiamente, culminando na sua inclusão no Hall da Fama dos Pioneiros do Espaço e Mísseis da Força Aérea dos EUA, em 2018. A sua sede de conhecimento nunca cessou; após aposentar-se e recuperar-se de um AVC, obteve o seu doutoramento aos 70 anos.

    Gladys West deixa um legado que transcende a academia. Sempre que um ponto azul pulsa num mapa digital, guiando alguém ao seu destino, é o algoritmo da sua vida que está a operar.

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