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Estudo mostra que demarcação de terras indígenas protege Mata Atlântica

No Brasil, medidas como essa poderiam proteger e restaurar pontos importantes de biodiversidade em 17 estados fora da Amazônia

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2023, 17h42
Estudo mostra que demarcação de terras indígenas protege Mata Atlântica Priorizar nos meus resultados Google

Reconhecer o direito dos povos indígenas às suas terras, independentemente de tamanho ou localização, ajuda na preservação delas de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira, 26, na revista PNAS Nexus. No Brasil, medidas como essa poderiam proteger e restaurar pontos importantes de biodiversidade na Mata Atlântica. O artigo mostra que, a cada ano após a formalização da posse em um pedaço de terra, houve um aumento de 0,77% na cobertura florestal em média, em comparação com as terras sem posse.

Segunda maior floresta tropical do Brasil, a Mata Atlântica cobre cerca de 90.000 quilômetros quadrados de território e se estende por 3.000 quilômetros da costa. O desmatamento no bioma ocorre desde o início do século XVI e os índices aumentaram durante os últimos dois séculos. Por outro lado, o desmatamento na Amazônia começou a se intensificar na década de 1970 e, mais recentemente, aumentou novamente durante o governo de Jair Bolsonaro.

Os pesquisadores analisaram 129 territórios indígenas na Mata Atlântica. Nas terras onde os povos têm direitos formais de posse, encontraram menos desmatamento e maior reflorestamento. Já em territórios onde as comunidades carecem de direitos ou estão no processo de obtenção de posse formal há mais desmatamento e menos reflorestamento. Pesquisas anteriores estabeleceram a importância dos direitos indígenas à terra nos esforços de conservação da floresta, especialmente na floresta amazônica.

O artigo foi divulgado no momento em que aumenta a pressão sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cumprir as promessas de reverter as políticas que enfraqueceram as proteções ambientais e violaram os direitos constitucionais dos povos indígenas no Brasil. Estima-se que 80% da Amazônia permaneça de pé, enquanto menos de 12% restam da Mata Atlântica. A região, portanto, tornou-se um foco significativo para os esforços de reflorestamento.

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“Tem-se dado muita atenção internacional e fundos de conservação direcionados para a Amazônia, enquanto a Mata Atlântica está de certa forma mais ameaçada”, disse Rayna Benzeev, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade da California, que realizou a pesquisa enquanto era estudante de doutorado no Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Colorado. “É também um ponto de biodiversidade e um ecossistema de alta prioridade para reflorestamento.”

Atualmente, a demarcação está em compasso de espera para muitos povos indígenas. Dos 726 territórios submetidos ao processo, 122 permanecem na primeira fase, aprovados para serem investigados por antropólogos; 44 territórios estão no estágio dois, com aprovação inicial da Fundação Nacional do Índio (Funai); 74 estão na terceira e foram rotulados como “declarados”, mas não aprovados por decreto presidencial, que é a quarta etapa. Desde 2012, apenas um território indígena passou por todas as etapas necessárias para a demarcação.

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O presidente Lula agiu rapidamente para reverter as políticas de desenvolvimento de seu antecessor, que incluíam esforços para abrir territórios indígenas à mineração. O Brasil tem algumas das melhores proteções legais no papel para os direitos indígenas em todo o mundo, mas a falha em fazer cumprir suas leis e a falta de financiamento para agências de fiscalização alimentaram o desmatamento.

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