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Morcegos bêbados e lagartos gourmet: a ciência do absurdo do Ig Nobel 2025

Realizada na Universidade de Boston, a sátira anual do prestigiado Prêmio Nobel celebra a curiosidade em suas formas mais improváveis

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 set 2025, 11h00 •
  • A comunidade científica celebrou, na quinta-feira, 18, a 35ª Primeira Cerimônia Anual do Prêmio Ig Nobel, um evento que honra pesquisas que primeiro “fazem rir e, depois, pensar”. Realizada na Universidade de Boston, a sátira anual do prestigiado Prêmio Nobel celebra a curiosidade em suas formas mais improváveis, com a participação de verdadeiros laureados do Nobel na entrega dos prêmios.

    Em edições anteriores, o prêmio reconheceu desde a correlação entre a frequência de beijos na boca e a desigualdade de renda em 13 países, incluindo o Brasil, até a atuação de chefes de Estado, como o então presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que recebeu o Ig Nobel de Educação Médica em 2020, por usar a pandemia da Covid-19 para mostrar ao mundo que políticos podem ter um efeito mais imediato sobre a vida e a morte do que cientistas e médicos.

    A safra de 2025 manteve o padrão de estudos absurdos, mas cientificamente rigorosos, abrangendo desde o reino animal até a alta gastronomia.
    Um dos vencedores mais inusitados foi o Prêmio Ig Nobel de Aviação, concedido por uma colaboração internacional que investigou se a ingestão de álcool afeta a capacidade de voo e ecolocalização de morcegos-fruteiros egípcios (Rousettus aegyptiacus). Os resultados mostraram que os morcegos voaram mais lentamente e tiveram dificuldade em ecolocalizar após consumirem fruta com alto teor de etanol.

    No campo da culinária séria, o Prêmio Ig Nobel de Física foi para cientistas europeus por desvendarem o mistério da receita perfeita do cacio e pepe. A pesquisa, que trata a preparação do molho como um problema de física estatística, identificou que o aglomeramento (a indesejada “fase mozzarella”) é causado por proteínas de queijo desnaturadas em temperaturas superiores a 65°C, propondo uma receita cientificamente otimizada para garantir a cremosidade, utilizando uma proporção precisa de amido (2-3% do peso do queijo).

    Lagartos e pizzas quatro queijos

    Outro estudo que fez rir e pensar foi o vencedor do Prêmio de Nutrição: uma equipe de pesquisa descobriu que lagartos-arco-íris (Agama agama) que vivem em um resort costeiro no Togo se adaptaram a uma estratégia de coleta oportunista e demonstram preferência por determinados tipos de pizza, como a de quatro queijos.

    Entre outros destaques, o Prêmio da Paz foi para o estudo que sugere que beber álcool pode melhorar a capacidade de falar uma língua estrangeira (o fenômeno da “coragem holandesa”), aumentando a autoconfiança, e o Prêmio de Química reconheceu a proposição, surpreendentemente séria, de utilizar politetrafluoretileno (Teflon) em dietas de baixa caloria para aumentar a saciedade, sob a premissa de que ele passaria inofensivamente pelo sistema digestivo. Finalmente, o Prêmio de Biologia reconheceu a utilidade de pintar vacas com listras de zebra para reduzir as picadas de moscas.

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    Vencedores do Prêmio Ig Nobel 2025

    Prêmio Ig Nobel de Literatura
    Vencedor: O falecido Dr. William B. Bean.
    Pesquisa: Por registrar e analisar persistentemente a taxa de crescimento de uma de suas unhas por um período de 35 anos.

    Prêmio Ig Nobel de Psicologia
    Vencedores: Marcin Zajenkowski e Gilles Gignac.
    Pesquisa: Por investigar o que acontece quando se informa a narcisistas — ou a qualquer outra pessoa — que eles são inteligentes.

    Prêmio Ig Nobel de Nutrição
    Vencedores: Daniele Dendi, Gabriel H. Segniagbeto, Roger Meek e Luca Luiselli.
    Pesquisa: Por estudar a que ponto certo tipo de lagarto (lagartos-arco-íris, Agama agama) escolhe comer certos tipos de pizza (quatro queijos), demonstrando uma estratégia de coleta oportunista em um resort costeiro no Togo.

    Prêmio Ig Nobel de Pediatria
    Vencedores: Julie Mennella e Gary Beauchamp.
    Pesquisa: Por estudar o que um bebê lactente experimenta quando a mãe ingere alho, o que altera as qualidades sensoriais do leite materno e faz com que os bebês se apeguem por mais tempo e consumam mais leite.

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    Prêmio Ig Nobel de Biologia
    Vencedores: Tomoki Kojima e colaboradores (Kazato Oishi, Yasushi Matsubara, Yuki Uchiyama, Yoshihiko Fukushima, Naoto Aoki, Say Sato, Tatsuaki Masuda, Junichi Ueda, Hiroyuki Hirooka, e Katsutoshi Kino).
    Pesquisa: Por experimentos para saber se vacas pintadas com listras de zebra podem evitar picadas de moscas, resultando em 50% de redução nas mordidas.

    Prêmio Ig Nobel de Química
    Vencedores: Rotem Naftalovich, Daniel Naftalovich e Frank Greenway.
    Pesquisa: Por testar se comer Politetrafluoretileno (Teflon) é uma maneira de aumentar o volume dos alimentos e, portanto, a saciedade, sem aumentar o conteúdo calórico.

    Prêmio Ig Nobel da Paz
    Vencedores: Fritz Renner, Inge Kersbergen, Matt Field e Jessica Werthmann.
    Pesquisa: Por demonstrar que beber álcool às vezes melhora a capacidade de uma pessoa falar um idioma estrangeiro (o fenômeno da “coragem holandesa”), aumentando a autoconfiança percebida.

    Prêmio Ig Nobel de Design Industrial
    Vencedores: Vikash Kumar e Sarthak Mittal.
    Pesquisa: Por analisar, a partir de uma perspectiva de design de engenharia, como sapatos com mau cheiro afetam a boa experiência de uso de um porta-sapatos.

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    Prêmio Ig Nobel de Aviação
    Vencedores: Francisco Sánchez, Mariana Melcón, Carmi Korine e Berry Pinshow.
    Pesquisa: Por estudar se a ingestão de álcool pode prejudicar a capacidade de voar e também a ecolocalização de morcegos-fruteiros egípcios (Rousettus aegyptiacus), descobrindo que eles voaram mais lentamente e tiveram dificuldade após consumirem etanol.

    Prêmio Ig Nobel de Física
    Vencedores: Giacomo Bartolucci, Daniel Maria Busiello, Matteo Ciarchi, Alberto Corticelli, Ivan Di Terlizzi, Fabrizio Olmeda, Davide Revignas e Vincenzo Maria Schimmenti.
    Pesquisa: Por descobertas sobre a física do molho de macarrão, especialmente a transição de fase que pode levar ao aglomeramento (a “fase mozzarella”), identificando que uma proporção de 2–3% de amido em relação ao peso do queijo e o controle da temperatura (abaixo de 65°C) garantem a cremosidade do cacio e pepe perfeito.

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