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Pearl Harbor: navios atacados na II Guerra ajudam ciência climática

Dados científicos coletados durante o conflito ajudarão cientistas a compreender mudanças globais do clima

Por Marília Monitchele Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 set 2023, 08h00 | Atualizado em 18 set 2023, 08h22

O ataque japonês à Base Aérea de Pearl Harbor é um dos momentos mais conhecidos da História Contemporânea e ajudou a delinear eventos que marcaram a II Guerra Mundial. Agora, mais de 80 anos depois do fatídico dia 7 de dezembro de 1941, dados meteorológicos de vários navios bombardeados por pilotos japoneses foram recuperados em uma verdadeira missão de resgate científico que ajudará os cientistas a compreender como o clima global mudou. 

Em 1941, o ataque à frota estadunidense no Havaí culminou em muitas baixas humanas, além da destruição de embarcações como o USS Pennsylvania e o USS Tennessee. Apesar do impacto inicial, o serviço militar não podia parar. Assim, os oficiais da Marinha americana continuaram cumprindo tarefas básicas, o que incluía registros diários do clima. 

Um artigo publicado hoje, 18, no periódico científico Geoscience Data Journal traz dados inéditos sobre esses registros. O trabalho envolveu os dados coletados por 19 navios da Marinha dos Estados Unidos entre 1941 e 1945. O esforço hercúleo de recuperação demorou pouco mais de um ano e envolveu o trabalho de cerca de 4.300 voluntários, que transcreveram mais de 28.000 imagens  registradas em diários de bordo. 

“Esses diários foram fotografados e usamos essas fotos para executar um projeto de resgate de dados no Zooniverse – portal de ciência cidadã operado pela Citizen Science Alliance que cadastra voluntários com interesse de contribuir em projetos científicos – para recuperar dados”, diz Praveen Teleti, professor da Universidade de Reading, na Inglaterra, e um dos idealizadores do projeto em entrevista a VEJA. “Esses documentos foram desclassificados pelo Arquivo Nacional dos Estados Unidos (NARA, na sigla em inglês) em 2017. Eles foram classificados e arquivados e felizmente estavam em bom estado”. 

Estudos anteriores já sugeriram que o período de guerra teve anos anormalmente quentes em algumas partes do mundo. Agora, os mais de 630.000 registros baseados em mais de 3 milhões de observações individuais poderão ajudar a mostrar se isso de fato aconteceu. “Foram extraídas informações meteorológicas e de data, hora, posição. Como não temos uma compreensão mais clara do clima passado em determinados momentos e locais onde não temos observações suficientes, este conjunto de dados nos ajudará a reconstruir o clima durante a Segunda Guerra Mundial”, afirma Teleti. “Estas novas observações, juntamente com os dados atuais, serão utilizadas para executar modelos climáticos, que resultarão em previsões muito precisas”.

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As observações de navios de guerra foram as principais fontes de observações marinhas durante o período da Segunda Guerra, mas muitos registros foram destruídos como um ato de guerra, ou simplesmente esquecidos devido ao período de tempo em que foram considerados confidenciais.

O conjunto de dados recuperado revela como aquele contexto exigiu mudanças nas práticas de observação. Foram realizadas mais observações durante o dia do que durante a noite para reduzir a exposição aos navios inimigos e evitar serem detectados. “Foi um desafio pós-processar os dados corretamente para que pudessem ser utilizados no futuro”, lembra o pesquisador. Além disso, há pouco conhecimento sobre o clima do Indo-Pacífico e do Extremo Oriente durante a Segunda Guerra Mundial. Os dados resgatados ajudarão os cientistas a corrigir e preencher lacunas nos conjuntos de informações existentes e a garantir que possam compreender melhor como o clima global evoluiu desde o início do século XX.

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