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Três dicas da ciência para melhorar a memória de longo prazo

Para reter informações por longo prazo, é importante testar conhecimentos e repeti-los

Por Emilie Gerbier*, para The Conversation
Atualizado em 2 jan 2025, 15h41 - Publicado em 26 dez 2024, 09h33

O provérbio “a prática leva à perfeição” reflete a importância de repetir a mesma atividade para dominar a habilidade de fazer algo. Este princípio também se aplica ao vocabulário ou às lições que devemos assimilar. Para contrariar a nossa tendência natural de esquecer informações, é essencial reativá-las na memória.

Mas, com que frequência devemos organizar estas reativações para fixar o conhecimento da forma mais eficaz e permanente possível?

As pesquisas em psicologia cognitiva estão fornecendo algumas respostas a estas questões. Além das receitas prontas, é importante compreender os princípios subjacentes à aprendizagem sustentável para poder colocá-los em prática em sua própria vida.

Aproveite o “efeito de espaçamento” nas revisões

Dois princípios principais são fundamentais para memorizar informações a longo prazo.

O primeiro é usar testes para aprender e revisar: é muito mais eficaz fazer um autoteste sobre o conteúdo, por exemplo, usando fichas de perguntas e respostas, do que reler o conteúdo. E, após cada tentativa de recuperar informações da memória, as informações não recuperadas – aí, sim – precisam ser estudadas novamente.

O segundo princípio consiste em distribuir adequadamente as reativações ao longo do tempo. Isto é conhecido como “efeito de espaçamento”: se você só puder dedicar três sessões a um determinado conteúdo, é melhor programá-las em intervalos relativamente longos (por exemplo, a cada três dias) em vez de curtos (todos os dias).

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As revisões em longos intervalos exigirão mais esforço: será um pouco mais difícil recuperar as informações da memória depois de três dias do que no dia seguinte. No entanto, são exatamente estes esforços que irão fortalecer a memória, promovendo a retenção a longo prazo.

Quando se trata de aprendizado, é preciso ter cuidado para não seguir o caminho mais fácil. Lembrar-se facilmente de uma lição hoje não é um bom indicador da probabilidade de você se lembrar dela daqui a um mês. E tal sentimento de facilidade pode nos levar a considerar (erroneamente) que é desnecessário revisá-la.

Robert Bjork, professor da Universidade da Califórnia (EUA) e especialista em memória/esquecimento, chamou de “dificuldade desejável” a ideia de um nível ideal de dificuldade situado entre dois extremos. O primeiro, corresponde a uma aprendizagem muito fácil (mas ineficaz a longo prazo), enquanto o segundo é o aprendizado demasiadamente difícil (ao mesmo tempo ineficaz e desestimulante).

Encontrando o ritmo certo de estudo

Existe, portanto, um limite para o espaçamento de tempo entre reativações: após um longo período (por exemplo, um ano), a informação aprendida terá diminuído fortemente na nossa memória e será muito difícil, se não for impossível, de recuperar. Além de gerar emoções negativas, esta situação irá, de certa forma, obrigar-nos a recomeçar a aprender desde o início e os esforços anteriores terão sido em vão.

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É, portanto, uma questão de encontrar o intervalo certo entre as reativações, nem muito longo nem muito curto. Mas esse intervalo correto não é um valor universal porque, na realidade, depende de vários fatores (ligados ao indivíduo, à informação a ser preservada e ao histórico desse conhecimento). Alguns programas de aprendizado implementam algoritmos que levam em consideração esses fatores, permitindo testar cada informação no momento “ideal”.

Também existem métodos de papel e lápis. O mais simples é seguir um programa “expansivo”, ou seja, utilizar intervalos cada vez mais longos entre sessões sucessivas. Esta técnica é implementada no “método J” cuja eficácia reside no fortalecimento progressivo da memória.

No início da aprendizagem, a memória é frágil e necessita de uma rápida reativação para não ser esquecida. A cada nova reativação, a memória se fortalece, o que permite atrasar a próxima reativação, e assim por diante. Cada reativação é moderadamente difícil e, portanto, localizada no nível “desejável”.

Aqui está um exemplo de programa expansivo para um determinado conteúdo: J1, J2, J5, J15, J44, J145, J415 etc. Aqui, a duração do intervalo é triplicada de uma sessão para outra (24 horas entre D1 e D2; depois 3 dias entre D2 e D3 etc).

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Integração gradual de novos conhecimentos

Não há consenso científico sobre a melhor série de intervalos. No entanto, parece particularmente benéfico realizar a primeira reativação no dia seguinte (D2) ao aprendizado inicial porque o sono noturno terá permitido ao cérebro reestruturar e/ou reforçar o conhecimento aprendido no dia anterior (D1). Os intervalos a seguir podem ser ajustados de acordo com restrições individuais.

Por fim, o método é flexível: se necessário, uma sessão pode ser adiada alguns dias antes ou depois da data planejada sem impactar a eficácia global a longo prazo. O importante é o princípio da reativação regular.

O programa expansivo também tem uma vantagem prática considerável: permite a integração gradual de novas informações. Por exemplo, podemos iniciar novos conteúdos no Dia 3 do programa acima – caso não haja sessão nesse dia. Ao adicionar conteúdo de forma gradual, é possível memorizar uma quantidade muito grande de informações em um longo período sem aumentar o tempo de estudo.

O outro método é baseado no princípio da “caixas de Leitner”. Dessa vez, a duração do intervalo antes da próxima reativação não é planejada com antecedência, mas depende do resultado da busca na memória.

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Se a resposta for facilmente recuperada, a próxima reativação ocorrerá em uma semana. Se a resposta for encontrada, mas com dificuldade, esperaremos três dias antes de nos testarmos novamente. Caso não tenhamos conseguido encontrar a resposta, o próximo teste será realizado no dia seguinte. Com a experiência, cada um pode ajustar esses intervalos e desenvolver seu próprio sistema.

Em resumo, para que o aprendizado seja eficaz e duradouro, você deve fazer um esforço para recuperar as informações da sua memória e repetir esse processo regularmente, em espaços apropriados para evitar o esquecimento.

*Emilie Gerbier, Maîtresse de Conférence en Psychologie, Université Côte d’Azur

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