Oferta Relâmpago: 4 revistas pelo preço de uma!
Imagem Blog

Bem-Estar

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO

Além do IMC: Estudo propõe reformular o diagnóstico da obesidade

Pesquisa 56 especialistas de diferentes áreas médicas e endossado por 75 organizações no mundo propõe novos critérios para reconhecimento da doença

Por Tiago Cordeiro
28 mar 2025, 06h00

De cada 100 adultos que formam a população global, 42 estão acima do peso — são quase 1,4 bilhão de pessoas que ultrapassaram o nível recomendável e mais 810 milhões que já estão obesas, de acordo com um levantamento de 2024 da ONG World Obesity Federation, baseado em dados de 2020. Dentro de dez anos, serão 54% do total, com impacto de 4 trilhões de dólares por ano, entre despesas com saúde e perda de produtividade. No Brasil, um estudo publicado no ano passado por um grupo de pesquisadores liderados por Eduardo Nilson, da Fundação Oswaldo Cruz, indica que atualmente 56% dos adultos estão acima do peso — em 2044 serão 75%, incluindo 83 milhões de obesos.

Ainda assim, o mais comum no ambiente médico é que a obesidade seja tratada como um fator secundário, capaz de desencadear outras doenças, como diabetes e hipertensão. E o diagnóstico costuma se apoiar basicamente em um indicador, o índice de massa corporal (IMC). No entanto, uma comissão de 56 pesquisadores se propõe a mudar radicalmente esse cenário, com a proposta de uma nova definição para a obesidade, que pode levar a diagnósticos mais precisos e tratamentos para as pessoas que já têm suas rotinas dificultadas pelo acúmulo de gordura no corpo.

Resultado de quatro anos de trabalhos, o artigo que consolida essa proposta foi publicado em março na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology. E já conta com o endosso de 75 organizações médicas de referência global. Pode, inclusive, levar a ajustes nas estimativas do número de obesos, que atualmente também são baseadas no IMC. “O que propomos é uma definição que vai além da correlação entre peso e altura e permite priorizar os casos que devem ser tratados”, afirma o médico Ricardo Cohen, único brasileiro (e sul-americano) entre os coautores das definições.

“Agora, sugerimos diferenciar a obesidade pré-clínica, que representa um fator de risco mas ainda não compromete a rotina, da obesidade clínica, que precisa ser tratada de imediato”, diz Cohen. Ele tem mais de 10 000 cirurgias no currículo e é presidente mundial da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos, além de coordenador do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo.

Continua após a publicidade

Doença crônica

A proposta do comitê de pesquisadores é utilizar o IMC como ferramenta de triagem, somada a outros critérios, como a medição da circunferência da cintura, a relação entre a cintura e o quadril e entre a cintura e a altura, além do cálculo direto da gordura corporal, realizado por meio de exames de densitometria óssea, capaz de apontar desequilíbrios na distribuição de massas gordurosas — e, assim, apontar fatores de risco, como o acúmulo de gordura em torno de órgãos cruciais para a saúde, como fígado, coração ou pulmões.

A pesquisa recém-publicada também lista dezoito sintomas capazes de apoiar a identificação de casos de obesidade clínica — entre eles, falta de ar, insuficiência cardíaca, dor nos joelhos ou nos quadris e dificuldade para urinar. Assim, é possível apontar os casos em que o excesso de peso representa um risco real para a saúde e já compromete atividades diárias básicas, como tomar banho, vestir-se ou dormir.

Obesos: dentro de dez anos, despesas globais poderão ir a 4 trilhões de dólares por ano
Obesos: dentro de dez anos, despesas globais poderão ir a 4 trilhões de dólares por ano (Dave Nagel/The Image Bank/Getty Images)
Continua após a publicidade

As pessoas que recebem esse diagnóstico passariam então a ser consideradas portadoras de uma doença crônica. Como explica Cohen, trata-se de uma mudança de abordagem importante. “Até agora, a obesidade era considerada um fator de risco modificável. Há um grande estigma sobre a doença, como se a pessoa tivesse culpa de estar acima do peso.”

Tratamentos não faltam. Segundo Cohen, a recomendação “se mexa mais e coma menos” não se aplica, sozinha, a quem já tem obesidade clínica. Aliás, todos precisam fazer atividade física e se alimentar bem, independentemente do peso. “Para os doentes diagnosticados, existem recursos mais eficientes, dos novos medicamentos injetáveis à cirurgia bariátrica. E há mais de trinta novas opções em desenvolvimento.”

Publicado em VEJA, março de 2025, edição VEJA Negócios nº 12

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
a partir de 9,90/mês*
ECONOMIZE ATÉ 47% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Nas bancas, 1 revista custa R$ 29,90.
Aqui, você leva 4 revistas pelo preço de uma!
a partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a R$ 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.