Por que CEOs precisam pensar como atletas de elite
Em um mundo mais volátil, disciplina, resiliência e preparo físico viram vantagem competitiva na liderança
Em meio à aceleração das mudanças geopolíticas, econômicas e tecnológicas, líderes corporativos agem como atletas de elite, revela um estudo. Disciplina, propósito e resiliência unem os dois mundos
A primeira prova de 100 metros rasos masculino foi disputada na Olimpíada de 1896, em Atenas, e vencida pelo americano Thomas Burke, que cumpriu o percurso em 12 segundos. Demorou até 1968 para que outro americano, Jim Hines, alcançasse um tempo abaixo dos 10 segundos: 9,95. O recorde atual é de 9,58 segundos e foi alcançado pelo jamaicano Usain Bolt em 2009. Se buscasse uma vaga nos Jogos mais recentes, de Paris, Thomas Burke nem sequer se classificaria.
Com os CEOs, acontece um fenômeno parecido: o número de tarefas críticas que eles executam diariamente dobrou desde a pandemia, de acordo com um estudo realizado pela consultoria McKinsey. O levantamento aponta que liderar uma grande organização no mundo fragmentado dos dias de hoje é uma atividade marcada pelos impactos da pandemia e, mais recentemente, pela aceleração das tensões geopolíticas.
As equipes de liderança têm enfrentado um número crescente de incertezas e disrupções, o que inclui o surgimento repentino de tecnologias inovadoras, como a inteligência artificial generativa; a transição energética; e uma força de trabalho global buscando mais autonomia, empoderamento, flexibilidade e mobilidade. Há um efeito cumulativo e interconectado em todas essas disrupções — e cada vez menos tempo para os comandantes das empresas reagirem a elas.
O cenário reforça o vínculo entre atletas de alto rendimento e líderes corporativos. Os fatores que garantem o sucesso desses dois perfis profissionais, aparentemente tão distintos, são, na prática, muito parecidos, como aponta um levantamento da consultoria McKinsey (veja mais no quadro). E isso é atestado pelo grande número de CEOs que praticam esportes em níveis competitivos.
Muitas vezes, atletas se tornam líderes corporativos. É o caso, por exemplo, de Pedro Zannoni, CEO da Lacoste para a América Latina e ex-tenista profissional. “Para mim, o esporte não é só lazer: é parte da minha qualidade de vida e até do meu desempenho profissional”, diz Zannoni, que começou a praticar tênis aos 5 anos e mantém a atividade na rotina, ainda que não seja mais competidor profissional — ele também joga futebol e pratica golfe.
Quais são as qualidades de um atleta que se aplicam também aos chefes executivos? “A disciplina do treino, a resiliência para lidar com momentos difíceis, a capacidade de manter o foco em situações de pressão e, claro, o trabalho em equipe”, responde ele. Mesmo em um esporte individual como o tênis, existe uma equipe de suporte, entre técnicos, fisioterapeutas e preparadores. “No mundo corporativo é igual: ninguém vence sozinho.”
O tênis de campo, em especial, atrai muitos líderes, de fato: um levantamento de outra consultoria, a Deloitte, para a Confederação Brasileira de Tênis, apontou que 350 dos principais presidentes de empresa brasileiros praticam esse esporte com grande regularidade. “Foi dentro da quadra que aprendi a lidar com vitórias e derrotas, a importância de estar sempre preparado e a respeitar o adversário — lições que procuro aplicar até hoje no meu trabalho”, afirma Zannoni.
Publicado em VEJA, janeiro de 2026, edição VEJA Negócios nº 22






