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Mercado de iates atrai investimentos e cresce com foco em luxo

No Brasil e na Itália, centro mundial do setor, estaleiros agradam a clientes com projetos personalizados que têm a bordo academia, pista de dança e wi-fi

Por Cinthia Rodrigues, de Roma
20 dez 2025, 08h00 •
  • Com uma costa generosa, de quase 11 000 quilômetros de extensão, o Brasil é um mercado atraente para os estaleiros de iates e lanchas, seja os locais, seja concorrentes internacionais. Mas há exigências desafiadoras para atender ao cliente brasileiro. Uma delas é que ele costuma reproduzir al mare os costumes que cultiva em solo firme. Até a roupa de cama no barco tem de ser de grife. Gosta de promover festas. E ancora por longos períodos, transformando o iate em uma casa flutuante. Para que esses gostos sejam satisfeitos, algumas características tornam os projetos especiais. “Os tanques de água são sempre maiores, para produzir gelo para a caipirinha e para que as mulheres possam lavar o cabelo todos os dias”, afirma Roberta Ramalho, presidente da Intermarine, empresa que é uma das líderes do setor. “Na Europa não é assim.”

    Os negócios andam de vento em popa para a empresa, que completou 52 anos em 2025: tem encomendas que garantem a produção até o fim de 2026 (leva de quatro a oito meses para terminar cada barco) e anunciou investimentos para ampliar em 40% a capacidade de sua fábrica de 50 000 metros quadrados em Osasco, na Grande São Paulo. Surfando a tendência da customização, a marca lançou o Intermarine 25M (o “M” significa metros), avaliado em 40 milhões de reais, com opção para o uso de equipamentos de wellness da Technogym: bicicleta, banco multifuncional e pesos configuráveis, para transformar a experiência no mar em um refúgio de bem-estar. Foram duas unidades vendidas durante o São Paulo Boat Show, evento realizado em setembro. “Um dos clientes é DJ e promove festas a bordo, então daremos atenção especial à pista de dança”, diz Roberta, que regularmente navega na região de Paraty e Angra dos Reis, seus lugares preferidos.

    Em águas internacionais, a Itália está na frente. O país responde por metade da produção global, com 572 iates por ano, e exporta quase 80% do que fabrica, segundo a Confindustria Nautica, associação que representa o setor. Em 2024, registrou faturamento recorde de 8,6 bilhões de euros, alta de 3,2% sobre 2023. As exportações somaram 5,9 bilhões de euros. “Desde 2000, as exportações cresceram 405%”, afirma Fabio Planamente, gerente geral do estaleiro Cantiere del Pardo e vice-presidente da Confindustria Nautica. Ele esteve no Brasil recentemente para participar do evento Esportare La Dolce Vita (Exportar a Doce Vida), como parte da estratégia da Itália de estimular a sua indústria, mostrar o poder de seu design e inovação e reforçar a sedução que exerce no mundo marítimo.

    Casa flutuante: a decoração interna do iate reproduz o estilo de vida italiano com móveis de grife
    Casa flutuante: a decoração interna do iate reproduz o estilo de vida italiano com móveis de grife (Azimut Yachts/.)

    O relatório Global Order Book de 2024, principal termômetro do mercado náutico mundial de alto padrão, aponta que permanece o vigor do pós-­pandemia, quando as vendas dobraram. Mesmo com uma leve desaceleração, o ano registrou 1 166 superiates em construção, número que é o segundo mais elevado desde 2009. No Brasil, houve crescimento de vendas de 7,1% de todos os modelos de embarcações durante o São Paulo Boat Show. “Foram negociadas mais de 750 unidades de diversos tamanhos”, afirma Thalita Vicentini, diretora da organização Boat Show Eventos.

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    De olho no mercado brasileiro, a italiana Azimut Benetti construiu um estaleiro em Santa Catarina em 2010 (o único fora de seu país). Durante o Marina Itajaí Boat Show, neste ano, lançou o modelo Azimut Grande 25 Metri, criado localmente, mostrando a importância da região para a companhia. Seis unidades já foram vendidas. O deque principal tem terraço retrátil e ambiente contínuo de estar e jantar, projetado em mármore, couro e madeira. O interior tem quatro suítes e o flybridge (mezanino de onde se pode também navegar) tem jacuzzi, bar, área gourmet e lounges com vista para o mar. Preço do iate: a partir de 45 milhões de reais.

    Para Andrea Consolini, diretor financeiro da Azimut Yachts no Brasil, o mercado nacional, que fatura 600 milhões de reais por ano e representa 12% das vendas da operação global, apresenta desafios muito particulares. “Precisamos tropicalizar. O cliente quer ter um espaço para fazer churrasco, isso é um pedido constante”, diz Consolini. “Vendemos qualidade de vida, tempo com a família, privacidade e a possibilidade de entrar em contato direto com a natureza.”

    Roberta Ramalho, da Intermarine: investimentos na fábrica, que tem pedidos até o fim de 2026
    Roberta Ramalho, da Intermarine: investimentos na fábrica, que tem pedidos até o fim de 2026 (Rogerio Pallatta/.)
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    E, para os navegadores que buscam aventura sem perder a conexão tecnológica com o mundo, como é o caso das novas gerações muito plugadas, a Fibrafort também lançou na versão paulista do Boat Show a lancha Focker 355 GTS Explorer, com valor a partir de 1,3 milhão de reais. Com experiência de 35 anos no mercado, 19 000 barcos vendidos e suporte da Porsche Consulting, a empresa catarinense apostou em um modelo com espaço gourmet, opção de TV embutida e wi-fi com antena Starlink, algo raro em alto mar. Com traços modernos e cor menta nos detalhes, o lançamento fez sucesso: doze unidades foram arrematadas por clientes que já poderão passear, em breve, em alto estilo.

    A “economia do mar” não vive apenas de lançamentos. A yacht designer Wendy Frota se especializou na reforma de barcos de grande porte usados, depois de perceber a potência dos negócios que são feitos. Fã da italiana Ferretti, que tem a cobiçada marca Riva, ela corre salões e marinas pelo mundo, em Cannes, Fort Lauderdale, Atenas ou Balneário Camboriú, buscando inspiração para suas obras, sempre entregues com uma mesa posta de vinhos e comidinhas para agradar aos proprietários, que pagam o que for necessário para realizar um sonho. Em oito anos, ela executou trinta renovações. “Meu cliente nunca questiona orçamentos e investe na produção completa, que inclui toalhas bordadas com o nome do barco”, diz a profissional. “Um cliente de 22 anos gastou 2 milhões de reais para reformar uma embarcação que estava muito destruída e tinha apenas uma suíte.” Nos últimos meses, Wendy quase não saiu de Angra dos Reis, onde trabalha com sua equipe sem parar.

    A possibilidade de viver a bordo usando um meio de transporte que chega a muitos lugares intocados sempre seduziu ricos e famosos. “Toda série de TV que mostra a vida dos milionários tem um barco, um símbolo de poder, de acesso exclusivo. A experiência sensorial está em alta, sentir vale muito”, diz Thales Lucchesi, consultor de luxo da agência Ponte. Com a chegada do verão, está aberta a temporada de sol, mar e embarcações de tirar o fôlego.

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    Glamour al mare

    Gianni Agnelli, comandante da Fiat por quatro décadas, inventou o charme náutico

    Doce vida: o empresário, apaixonado por design, arte e moda, criou o seu próprio iate de alto luxo
    Doce vida: o empresário, apaixonado por design, arte e moda, criou o seu próprio iate de alto luxo (Alinari/TopFoto/Fotoarena/.)

    Herdeiro da família fundadora da Fiat, Gianni Agnelli (1921-2003) foi o presidente da montadora durante quase quatro décadas, mas o seu legado vai muito além da passagem pela marca de carros. Conhecido como l’avvocato (o advogado), ele eternizou a figura do empresário apaixonado por moda, arte, design e barcos.

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    Na década de 1980, depois de acelerar em alta velocidade lanchas muito potentes, ele mudou de rota. Junto com o estaleiro CRN, do grupo Ferretti, Agnelli criou o F100, um iate com 33 metros de comprimento, casco robusto, espaço para heliponto, interiores decorados com sofisticação e uma cozinha com chef, para preparar muita pasta e peixe fresco. Um autêntico palácio flutuante, ancorado em Porto Cervo, na Sardenha. Nascia, ali, o glamour al mare. A novidade, que foi apresentada em 1983, no Salão Náutico de Gênova, referência no setor, inaugurou uma nova era no conceito da vida marítima com sofisticação.

    Publicado em VEJA, dezembro de 2025, edição VEJA Negócios nº 21

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