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Coluna da Lucilia

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Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

Investir em pessoas

O Fórum de Davos coloca o humano no centro

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jan 2026, 06h00 • Atualizado em 23 jan 2026, 11h26
  • Escrevo esta coluna de Davos, em meio a uma semana intensa de debates do Fórum Econômico Mundial. Quando a revista chegar às bancas, eles já terão deixado seu rastro na neve do refúgio suíço. Não importa: os vaivéns do tempo têm muito de subjetivo, como nos lembra A Montanha Mágica, de Thomas Mann — romance aqui ambientado, conhecido justamente por refletir sobre o tempo que se dilata. Na obra, o protagonista vem fazer uma visita e acaba se demorando sete anos. Minha estada é de poucos dias, mas que parecem muitos mais, em termos de riqueza de pensamento.

    O tema deste ano, “Um Espírito de Diálogo”, foi uma escolha acertada. Não por acaso, os cinco eixos do encontro foram formulados como perguntas, e não como afirmações. Em um mundo cansado de certezas gritadas, dialogar se tornou um exercício urgente. Entre as questões mais instigantes do programa, para mim, estão as que indagam como destravar novas formas de crescimento e como melhorar o investimento em pessoas. Muitos veem essas necessidades como contraditórias. Acredito que não precisem ser.

    Venho de uma família empresarial que sempre valorizou a inovação, mas também sempre entendeu que os negócios só se sustentam quando as pessoas estão no centro. Não se trata meramente de oferecer capacitação ou benefícios, mas de criar um ambiente favorável, reconhecer talentos, dar margem para errar e espaço para crescer. É nesse ponto que entra a chamada destruição criativa. Apesar do nome apocalíptico, esse princípio econômico clássico, revalorizado pelo Nobel em 2025, afirma que o crescimento de longo prazo depende da substituição contínua do velho pelo novo. A meu ver, esse processo não se dá sem estimularmos o capital humano. Philippe Aghion e Peter Howitt, dois dos três pesquisadores que dividiram o prêmio da Academia Sueca, trouxeram ao evento insights inspiradores.

    “O crescimento a longo prazo depende da substituição contínua do velho pelo novo”

    Quando a inovação acelera, seu ritmo também cobra um preço. Talvez por isso me tenha chamado atenção uma proposta que coloca a lentidão no centro da reflexão. Na performance The Bus, a artista Marina Abramovic´ defende a imobilidade consciente como contraponto às agendas apertadas e à pressão das grandes decisões. Investir em pessoas também passa por devolver a elas o direito à pausa. Mas reservar tempo para si é apenas uma das dimensões do bem-­estar. As novas tecnologias ampliam a autonomia das pessoas para tomar decisões mais informadas e mudar hábitos com foco na prevenção do adoecimento — tema que muito me interessa, contemplado em um dos painéis. O desafio está em expandir o acesso a essa saúde personalizada.

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    Por fim, destaco uma mesa-redonda que poderia parecer inocente e lúdica, mas carrega questões profundas: o que o xadrez ainda pode ensinar às pessoas quando as máquinas jogam melhor que elas? Se a inteligência artificial supera nosso desempenho, talvez seja o momento de valorizar menos o resultado da partida e mais as qualidades essencialmente humanas envolvidas no jogo, como o pensamento crítico, o julgamento ético e a capacidade de antecipar consequências.

    A seleção que trouxe aqui é apenas uma amostra de como o investimento em pessoas pode ser um verdadeiro propulsor da inovação. Espero que os ecos dos debates desta semana continuem a se fazer ouvir muito além dos Alpes.

    Publicado em VEJA de 23 de janeiro de 2026, edição nº 2979

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