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‘A vida digital não apenas contribui para o vício. Ela é um vício em si’

Um dos maiores especialistas no problema, o psiquiatra Gabor Maté lança novo livro e discute as origens da atual 'epidemia' de vícios

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 mar 2025, 16h30

Vício é todo comportamento que oferece prazer ou alívio temporário, induzindo repetições no futuro, mas também gerando consequências negativas ao equilíbrio físico e mental. É assim que Gabor Maté, médico húngaro radicado no Canadá e best-seller internacional, define esse problema de saúde em ascensão nos últimos anos.

De drogas a pornografia, passando por redes sociais e jogos de aposta virtuais, há uma miríade de substâncias e situações capazes de gerar dependência. Em Vício: O Reino dos Fantasmas Famintos, publicado pela Editora Sextante, o psiquiatra examina, a partir de sua experiência clínica, dos estudos científicos e de reflexões sobre a sociedade, por que a humanidade vem se enredando tanto em ciladas de fundo compulsivo.

Para o autor, a primeira pergunta a se fazer não é o porquê do vício em si, mas o motivo da dor existencial que leva ao vício. Um desafio aguçado pela vida digital. Com a palavra, Gabor Maté.

Vício: o reino dos fantasmas famintos

livro-vicio

O senhor acredita que a humanidade está mais exposta aos vícios hoje?

Em relação às fontes de vício, eu diria que sim. As pessoas buscam fugas temporárias, algo que lhes dê emoção e a sensação de estarem vivas. Se você perguntar a pessoas com dependência por que elas fazem uso de alguma substância ou têm determinado comportamento, elas lhe dirão exatamente a mesma coisa. O vício não começa como uma doença, mas como uma tentativa de atender a uma necessidade humana.

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Por que as pessoas querem escapar da realidade e se sentir mais vivas? Porque sentem que algo está faltando. Os vícios são, assim, uma fuga para uma dor existencial. Então a primeira pergunta que proponho não é o porquê do vício, mas o porquê dessa dor. E, para termos uma resposta, é preciso olhar para a vida dessas pessoas, para seus traumas.

A dependência das telas e do mundo digital é o maior perigo do momento?

Bem, a mídia digital é muito viciante. As pessoas ficam horas no celular ou no computador como se fosse uma fuga, como se estivessem tirando férias. Querem encontrar algum tipo de excitação ou romper com um desconforto emocional. E sabemos que isso começa cedo, já atinge as crianças e pode afetar o desenvolvimento do cérebro delas. O ponto é que os mais jovens têm menos autocontrole, e assim estão mais vulneráveis. E as máquinas, como o celular em nossas mãos, são projetadas para ser viciantes. A vida digital não apenas contribui para o vício. Ela já é um vício em si.

O que funciona para tratar um vício?

O plano terapêutico tem de ser individualizado porque as circunstâncias de vida das pessoas são diferentes. Uma pessoa que mora na rua, como os viciados em droga com HIV ou hepatite C com quem trabalhei em Vancouver, tem uma realidade muito diferente da de um homem rico e viciado em jogos de azar. Mas os princípios por trás do tratamento não mudam.

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Não devemos julgar, punir ou culpar essas pessoas. A culpa não é delas. Não é uma escolha que fizeram. Ninguém escolhe ser um viciado. O indivíduo é levado ao vício pelo sofrimento emocional, e ele pode ocorrer em qualquer nível social, não há distinções de classe. Então, qualquer tratamento de dependência tem que focar não apenas na interrupção do comportamento prejudicial, mas se pautar pela cura dos traumas que impulsionam a dependência.

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