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Os cães o salvaram… E agora ele quer salvar 10 mil cães de rua

Os animais ajudaram o irlandês Niall Harbison a superar o vício. Hoje, na Tailândia, sua missão de vida é resgatar cachorros. Leia trecho de seu livro

Por Niall Harbison (tradução: Renato Marques)
5 mar 2025, 18h30

Há um ditado popular sobre a vida começar aos 40. O que significa que a maturidade é mesmo algo bom. John Lennon até escreveu uma música com esse título, mas nunca a gravou, porque o astro dos Beatles foi morto a tiros dois meses após completar o marcante aniversário de 40 anos.

Eu, porém, ainda era um desastre completo aos 40. Na idade em que todos ao meu redor pareciam ter resolvido as “Grandes Coisas” — carreira estável, família, segurança financeira —, eu estava a anos-luz disso. Muitos amigos da minha idade percorriam esse caminho de vida bem conhecido com alegria, mas eu estava perdido, num mato sem cachorro.

Para ser franco, eu era um verdadeiro fracasso, tendo passado 25 anos lidando com depressão, ansiedade e vício. Eu perdia semanas inteiras prostrado na cama, esgotado e com uma espécie de névoa mental. Arruinei relacionamentos, abandonei empregos, vaguei por diferentes partes do mundo.

E isso tudo só serviu para que eu descobrisse que nunca poderia fugir do verdadeiro problema da minha vida — eu mesmo.

Perdi anos da vida cambaleando de uma farra caótica para a outra. Às seis da manhã, eu já estava sentado sozinho, bebendo e tomando remédios para anestesiar a dor, o cinzeiro transbordando de tantos cigarros. Tudo o que eu queria era escapar da minha mente, um pouco de normalidade; as quatro horas de alívio proporcionadas por um Valium ou um Xanax; uma dúzia de latinhas de cerveja para me esquecer da vida; vinho e uísque para entorpecer o vazio; um apagão causado pela bebida para passar por mais um dia.

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E pela ansiedade. Sempre a ansiedade paralisante e palpitante.

Apesar de tentar coisas como reuniões de apoio, remédios e terapia, precisei quase me matar de tanto beber na véspera de ano-novo de 2020 e passar três dias na UTI para enfim mudar tudo. Aquele episódio sombrio à beira da morte me fez perceber que eu queria viver. Mais do que isso, me fez perceber que eu queria viver uma vida que importasse de verdade.

Os cães que me salvaram

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Jurei fazer com que meu tempo restante neste mundo de fato valesse a pena. Fazer a diferença. A recuperação física e mental não aconteceu da noite para o dia; precisei de tempo e paciência. Conceber um plano grandioso também não aconteceu num piscar de olhos. Contudo, por fim, aos 42 anos, tive sorte e encontrei minha razão de existir.

Eu jamais teria imaginado que seria necessário um bando de cachorros de rua desconhecidos na Tailândia — indesejados, abandonados, desgrenhados, negligenciados — para me mostrar como aproveitar a vida ao máximo. O vigor, o entusiasmo, a alegria e a resiliência da cachorrada me surpreenderam.

Ao testemunhar suas lutas brutais, a pura bravura e a tenacidade obstinada com que enfrentam uma vida de cão (trocadilho intencional), enfim aprendi o que parecia ser o verdadeiro significado da vida.

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As pessoas que acompanham minhas histórias nas redes sociais me veem como alguém que “salva” os cães, mas na verdade é o contrário; foram eles que me salvaram.

* Niall Harbison é um ativista irlandês e autor de Os Cães Que Me Salvaram (Intrínseca). Ele fundou a Happy Doggo, entidade cuja missão é resgatar, proteger e cuidar de cães de rua pela Tailândia, além de promover ações on-line e ao redor do mundo

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