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Crônicas de Peso

Por Cid Pitombo Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O cirurgião bariátrico e pesquisador na área de obesidade Cid Pitombo reflete, em seus textos, sobre alimentação, movimento, ganho... e perda de peso

Esqueceram de mim (ou de si mesmo): quando o tratamento é deixado de lado

Boa parte das pessoas submetidas a uma cirurgia bariátrica deixa de fazer o acompanhamento médico adequado um tempo depois. Especialista reflete a respeito

Por Cid Pitombo
Atualizado em 22 jan 2025, 15h09 - Publicado em 21 jan 2025, 17h40

Há 27 anos, resolvi me mudar para a casa da cirurgia bariátrica. Ainda era muito vazia, poucas técnicas, conhecimento limitado, muitas armadilhas, corredores longos de aprendizado, mas o fascínio em explorá-la a fim de ajudar quem precisava de tratamento para a obesidade me levava a percorrer todos os cômodos.

Naquela época, conhecíamos pouco sobre a doença, mas já sabíamos que o caminho do seu controle seria difícil, multifatorial e que somente com a participação de médicos não seria possível chegar aos objetivos. Era preciso contar com uma equipe multiprofissional e, principalmente, que o paciente tivesse consciência da sua participação em todas as tarefas da casa.

Quem tem obesidade com indicação para cirurgia possui uma doença crônica que pode envolver uma série de comorbidades. São as doenças associadas, como problemas cardiovasculares, ortopédicos, dermatológicos, urológicos, metabólicos, sem falar no maior risco de alguns tipos de câncer e males neurológicos.

Além disso, fatores psicológicos, como depressão, tentativa de suicídio, exclusão social, uso de álcool e drogas, entre outros, podem fazer parte desse quadro. Distúrbios alimentares como bulimia, hiperfagia (comer em excesso) e hábitos de beliscar também estão por todos os lados. A doença é um labirinto com muitas portas e corredores e, por isso, o tratamento deve ser bem direcionado para que encontremos a saída.

Os cômodos dessa residência têm de dispor de diversas especialidades. Começando pelo cirurgião, que irá avaliar se o caso é realmente cirúrgico. Se positivo, serão solicitados exames e avaliações por outros profissionais: os exames podem revelar algo que contraindique a cirurgia, como uma gravidez ou um tumor. Também serão avaliadas condições que vão da capacidade cardiorrespiratória ao estado psíquico do paciente, tudo que pode repercutir antes, durante e depois da operação.

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Nutrólogos e nutricionistas entenderão e orientarão a dieta, psiquiatras e psicólogos vão analisar e preparar a saúde mental, endocrinologistas e cardiologistas vão equilibrar as doenças que cursam em paralelo. Quando tudo estiver limpo e arrumado, o paciente estará liberado para ir para sala, só que a de cirurgia.

Ainda se recuperando no quarto, a equipe estará ao seu lado guiando os próximos passos. Alimentação, suplementação de proteínas e vitaminas, exames… A rotina inicial é intensa e alguns cuidados permanecerão para sempre.

A cirurgia modifica o sistema digestivo, os mecanismos de fome, saciedade e absorção dos alimentos, mas a doença – a obesidade – continua por lá e demanda eterno cuidado.

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A realidade, no entanto, é que, depois de alguns anos de convívio, o paciente sai da casa e não lembra mais de onde veio. Se esquece dos médicos, quando na verdade se esquece de si mesmo.

Fato: a maioria dos pacientes que se submetem à cirurgia bariátrica abandona a equipe e o tratamento adequado até três anos depois da operação. Escolhem viver sozinhos ou muitas vezes se envolvendo com pessoas e profissionais que pouco entendem de suas doenças.

Déficits vitamínicos, doença do refluxo, úlceras no estômago, anemias, episódios de desmaios, bem como o retorno do peso perdido, podem dar as caras se ele demorar a voltar para casa. Isto é, ao ambiente ideal de tratamento.

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Diferentemente do filme Esqueceram de mim, ao voltar, não encontrarão armadilhas ou pegadinhas pelo lar, e sim um sorriso de bem-vindo de volta. Afinal, o tratamento não pode parar.

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