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Bolsonaro, Haddad e a Educação

É desanimadora a análise das propostas para a Educação dos candidatos Bolsonaro e Haddad. Do primeiro: não dá para comentar o que não existe.

Por João Batista Oliveira Atualizado em 20 set 2018, 18h04 - Publicado em 20 set 2018, 18h02
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  • Jair Bolsonaro e Fernando Haddad (Nelson Almeida/AFP - Ulisses Dumas/Divulgação)

    É pouco alentadora a análise das propostas para a área de Educação dos dois candidatos que, de acordo com as últimas pesquisas, aparecem como favoritos nas eleições presidenciais deste ano.

    Bolsonaro não fez o seu dever de casa e sequer formula perguntas. Limita-se a falar da necessidade de articular o governo federal com os governos subnacionais, promover um diagnóstico técnico e sanar deficiências de professores onde ocorrer. Nem chega a apresentar um projeto liberal consistente com o discurso de seu guru econômico. Não há porque comentar o que não existe. Em matéria de educação, o Posto Ipiranga não diz a que veio.

    Haddad apresenta um relatório das gestões petistas e, em resumo, diz que vai fazer mais do mesmo, depois de desfazer os malfeitos do “governo golpista”. Como prioridade, elegeu uma profunda reforma do ensino médio, ampliando o modelo das escolas técnicas federais. A única novidade é sua intenção de mobilizar parte significativa dos recursos do Sistema S para o financiamento do ensino médio.

    A proposta de Haddad merece comentários.

    Primeiro, ignora a realidade econômica do país, ao prometer continuar a gastança e ampliar para 10% do PIB os recursos para educação. Se não se tratar de estelionato eleitoral, isso garante que nenhuma pessoa séria aceitará o cargo de Ministro da Fazenda.

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    Segundo, ignora a falta de resultados positivos decorrentes das gestões petistas: os recursos dobraram, a melhoria nos resultados foi pífia e, onde ocorreu, se deve a iniciativas que não partiram do governo federal. Fracassos retumbantes como o FIES, o PRONATEC e o Alfabetização na Idade Certa são listados como sucessos.

    Terceiro, promete retomar a toada e o fio da meada interrompidos pelo “governo golpista”.

    Quem acompanha o setor da educação sabe que as convicções do ex-Ministro e de seu partido são genuínas – não lhes falta autenticidade nem competência. Também não lhes faltará apoio – além das corporações e da extraordinária capacidade de cooptação de seu partido, a maioria das iniciativas e projetos iniciados na gestão petista contou – e certamente contará – com o entusiasmado apoio de estados, municípios e, inclusive, de poderosos setores da sociedade civil. Até os governadores e prefeitos de partidos como o PSDB e o DEM – que, ao assumirem o MEC do “governo golpista”, denunciaram o total “aparelhamento” do setor – não hesitarão em aderir aos incontáveis “pactos” e “instâncias democráticas de debate”. Portanto, são propostas que têm tudo para serem levadas adiante, e que, além de inviabilizar cada vez mais o orçamento público, pouco ou nada irão contribuir para melhorar a educação.

    Enfim, quem sonha com um futuro melhor para a Educação no país possivelmente precisará esperar um pouco mais.

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