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Giro pelo Oriente

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Centro de pesquisa chinês fecha acordo com Fiocruz contra Minamata

Níveis alarmantes de mercúrio são detectados em gestantes da região amazônica

Por Ana Cláudia Guimarães
28 mar 2025, 10h44

O Centro de Pesquisa em Saúde Global da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guadong, da China, fechou acordo de cooperação com a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). A parceria é uma cooperação para o enfrentamento da doença de Minamata (doença neurológica causada pela exposição de metilmercúrio) e da exposição ao mercúrio entre populações indígenas. As ações foram discutidas durante as visitas do professor honorário da instituição chinesa, Kunihiko Yoshida, à Ensp/Fiocruz, nos dias 19 e 20 de março. A previsão é de que o Memorando de Entendimento para a cooperação seja assinado em agosto.

Advogado e especialista em direito ambiental e saúde, Yoshida investiga os efeitos da contaminação por mercúrio em diversas populações mundiais, buscando similitudes entre as manifestações clínicas da doença de Minamata ocorridas no Japão e em outras partes do mundo. A Doença de Minamata é uma grave condição neurológica crônica causada por intoxicação por mercúrio. O nome faz referência à cidade japonesa onde os primeiros casos foram identificados, em 1956. A enfermidade teve origem na contaminação por metilmercúrio despejado nas águas da baía por uma indústria química, a Chisso Corporation, entre 1932 e 1968. O poluente se acumulou nos peixes e mariscos consumidos pela população local, espalhando a doença de forma silenciosa e devastadora.

Segundo Yoshida, apenas 10% das pessoas acometidas pela doença de Minamata no Japão receberam tratamento adequado, além de indenização por parte do governo e reconhecimento como vítimas dessa condição. O professor visitou, em março de 2023, a Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, no médio rio Tapajós (PA). A ida ao território ocorreu durante um trabalho de campo liderado pelo pesquisador Paulo Basta, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). A partir dessa experiência, Yoshida passou a integrar uma articulação internacional voltada ao enfrentamento da contaminação por mercúrio, conectando Brasil, Japão e, mais recentemente, a China.

Para o pesquisador Paulo Basta, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), a parceria internacional representa um avanço importante para o Brasil. Segundo ele, a cooperação amplia a visibilidade do tema e impulsiona o debate global sobre os impactos da contaminação por mercúrio:

“O reconhecimento da Doença de Minamata no Brasil reforça a necessidade de aprofundar as pesquisas nessa área. Isso fortalece nossas linhas de investigação, consolida o grupo de pesquisa e ainda amplia os laços acadêmicos com outros países”, destacou.

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O professor Masami Yoshida destaca, em sua análise sobre a exposição ao mercúrio em terras indígenas brasileiras, um dos principais dilemas enfrentados atualmente: a contradição entre o avanço do capitalismo global e os modos de vida sustentáveis das populações tradicionais:

“É paradoxal que os povos indígenas — que têm em suas mãos o conhecimento necessário para enfrentar a crise ambiental do século XXI — sejam justamente os mais afetados pela contaminação gerada por esse modelo de desenvolvimento. Eles rejeitam a ideia de propriedade privada e exclusiva, que leva a disputas e conflitos, e sustentam há milênios uma relação profunda e respeitosa com a natureza”, afirmou.

Durante o workshop realizado na Ensp/Fiocruz, também foi apresentado o protocolo de pesquisa do Estudo Longitudinal de Gestantes e Recém-Nascidos Indígenas Expostos ao Mercúrio na Amazônia, conduzido por Paulo Basta com a população Munduruku. Segundo dados preliminares, há gestantes com níveis de mercúrio entre 23 e 24 microgramas por grama de cabelo, quando o limite de segurança é de apenas 2. Isso significa que elas estão com uma concentração dez vezes acima do aceitável. A conclusão do estudo está prevista para dezembro de 2026, após o fim da fase de coleta de dados.

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