Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 7,99
Imagem Blog

José Casado

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Informação e análise

Impasse com a Argentina: Guedes ameaça “estourar a gaiola” do Mercosul

Abrir a economia é decisão de governo, indicou o ministro ao Senado: "A hora para nós é agora.” Haverá um corte de 10% em todas as tarifas de importação

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 ago 2021, 09h00 •
  • A Argentina é o único lugar que importa no qual o Brasil é importante, costuma dizer o diplomata Marcos Azambuja, ex-embaixador em Buenos Aires.

    Para Paulo Guedes, ministro da Economia, a Argentina já não importa tanto.

    Ontem, em audiência no Senado, ele deixou claro que depois de um ano de negociações decidiu-se dar um ultimato ao governo Alberto Fernández, ainda relutante em aceitar uma redução de 10% nas tarifas de importações do Mercosul, associação entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

    “Nós vamos abrir a economia” — disse. “O Brasil é grande demais para ficar preso numa gaiolinha. Ou nós transformamos isso aí [o Mercosul] num negócio um pouco maior pouco, mais dinâmico, ou o Brasil vai estourar a gaiola.”

    Pelo acordo do Mercosul, ratificado pelo Congresso, todas as decisões sobre tarifas de importação precisam ser consensuais. Há uma base comum na taxação (14%) das compras feitas fora do bloco. A Argentina, em grave crise econômica, prefere manter a tarifa externa comum intocada. Mas Guedes tem pressa.

    Continua após a publicidade

    Abrir a economia agora é decisão de governo, ele indicou aos senadores. O chanceler Carlos França confirmou o apoio do Uruguai. E o ministro da Economia supõe dispor de argumentos sensíveis para convencer o Paraguai a “descer do muro”. Visto de Brasília, a Argentina está isolada.

    Acossado por uma inflação que beira os dois dígitos, na média nacional dos preços ao consumidor, o governo brasileiro pretende impor ainda neste semestre um corte linear de 10% nos custos das importações de alimentos, automóveis, equipamentos, materiais de construção, insumos industriais e agrícolas, entre outros. O objetivo, segundo Guedes, é estimular a concorrência com produtores nacionais hoje protegidos pela tarifa externa comum do Mercosul.

    “Compreendemos os problemas da Argentina, mas nós queremos compreensão para os nossos problemas também. E a hora para nós é agora” — disse. “Nós vamos fazer um movimento moderado, mas decisivo: corte de 10% em todas as tarifas, e vamos fazer com todo cuidado.” Um produto cuja tarifa de importação no Mercosul esteja em 30% vai cai para 28%, mencionou como exemplo da “moderação” planejada e, segundo ele, já negociada com a indústria — “nos reunimos a cada 45 dias”.

    Continua após a publicidade

    Diplomacia, certamente, não é virtude de Guedes: “Uma coisa que você não pode dizer na linguagem diplomática, mas que como brasileiros nós temos que ter noção das coisas, é o seguinte: não é o Brasil que fica onde o Mercosul manda, é o Mercosul que tem que ser conveniente para o Brasil.”

    O ministro da Economia tem argumentos sólidos para pressionar por mudanças estruturais no bloco.

    Um é a ansiedade de fim de governo em tentar fechar acordos de livre comércio com a China, os Estados Unidos e, se possível, viabilizar o que já foi negociado com a União Europeia, mas está pendente pelo conflito aberto por Jair Bolsonaro com líderes da França e da Alemanha sobre as políticas públicas na Amazônia.

    Continua após a publicidade

    Outro é o declínio do Mercosul no comércio brasileiro. No final dos anos 90 representava 18% de tudo que o país comprava e vendia ao exterior. Caiu para 6% nos últimos doze meses. “Está ficando irrelevante para o Brasil, e não queremos isso”, comentou.

    Ao ameaçar estourar a “estourar a gaiola”, Guedes foi ao limite, sinalizando ao Senado com a possibilidade de um “Brexit” brasileiro do Mercosul.

    Como os países-sócios construíram um bloco com dimensões muito além da economia, o impacto do rompimento da aliança seria grande, com múltiplos reflexos. E não se conhece nenhum plano do governo brasileiro para uma eventual saída do Mercosul, única região onde o Brasil continua a ter relevância.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.