Limitado nas alternativas, PT pressiona Haddad a se candidatar
Relutância do ministro da Fazenda tem justificativa: ele perdeu todas as eleições que disputou na última década
Lula chamou Fernando Haddad para uma viagem à Índia em março. No governo, considera-se provável que o ministro da Fazenda já retorne ungido por Lula como candidato ao governo de São Paulo. É a expectativa predominante entre parlamentares do Partido dos Trabalhadores.
Por onde passa, Haddad espalha que não tem interesse em se candidatar ao governo ou ao Senado pelo PT de São Paulo. Prefere, argumenta, organizar uma proposta de governo para aquela que, em tese, seria a última eleição presidencial disputada por Lula.
Motivação mais objetiva para relutância está no fato de que Haddad perdeu todas as eleições que disputou na última década.
Era prefeito de São Paulo em 2016, tentou a reeleição e foi derrotado no primeiro turno por João Doria, do PSDB. Ficou com menos de um milhão de votos (16,7% do total).
Dois anos depois, substituiu Lula contra Jair Bolsonaro. Condenado, o ex-presidente estava na cadeia. Sabia que a Justiça Eleitoral recusaria sua candidatura, por causa da Lei da Ficha Limpa, porém insistiu na fantasia. Três semanas antes de acabar o prazo para o PT registrar um candidato presidencial, Lula anunciou Haddad como substituto.
Foi uma proeza, surpreendente até para outros dirigentes petistas que cumpriam pena de prisão em processos da Lava Jato, como José Dirceu. Pouco conhecido fora da capital paulista, ele saiu do segundo turno da eleição presidencial com 47 milhões de votos (44,9% do total).
Lula incentivou sua candidatura ao governo de São Paulo em 2022. Haddad perdeu com 11 milhões de votos no segundo turno (44,7% do total) para o então desconhecido Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura e candidato escolhido por Jair Bolsonaro.
Haddad iniciou o rito de despedida da Fazenda quase dois meses antes do previsto. Aos 63 anos de idade, celebrados em Brasília nesta quarta-feira (28/1), justifica a relutância amparado na experiência de três derrotas seguidas. Mas aceita discutir o futuro — e vai decidir com Lula.
Por falta de renovação, o PT de São Paulo está limitado nas alternativas para o governo estadual e ao Senado. Vai precisar oferecer a Haddad aquilo que ele sempre pediu e, na prática, nunca conseguiu: consenso e união efetiva em torno da sua candidatura.






